FELIZ 2006 PARA TODOS!

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O POVO É BOM TIPO DESEJA UM ANO 2006 REPLETO DE SAÚDE, PAZ E ALEGRIA A TODOS OS QUE POR CÁ PASSAM
e para acabar o Ano Velho e começar o Ano Novo com ENERGIA
TOMEM LÁ


o raio da lista!

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Vamos lá às listas (em quantias de 3 para ser mais fácil) com “produtos” não obrigatoriamente produzidos em 2005, mas celebrados em 2005.

3 Livros de Poesia
- António Franco Alexandre, “Aracne”, Assírio & Alvim
- Tonino Guerra, “O Mel”, Assírio & Alvim
- Konstandinos Kavafis, “Poemas e Prosas”, Relógio de Água

3 Livros de Ficção
- Michael Cunnigham, “Dias Exemplares”, Gradiva
- Fiama Hasse Pais Brandão, “Sob o Olhar de Medeia”, Relógio d’Água
- W. G. Sebald, “Austerlitz”, Teorema

3 Filmes
- Ingmar Bergman, “Saraband”
- Jacques Rivette, “Histoire de Marie et Julien”
- Clint Eastwood, “Million Dollar Baby”

3 Discos
- Bernardo Sassetti, “Ascent”
- Antony & The Johnsons, “I am a bird now”
- Sufjan Stevens, “Illinois”

3 Concertos
- Lhasa de Sela, Casa das Artes, V.N. Famalicão
- Wim Mertens, Casa das Artes, V. N. Famalicão
- Maria Rita, Coliseu, Porto

3 Exposições
- August Strindberg, Tate Modern, Londres
- Stephan Balkenhol, Centro Galego de Arte Contemporánea, Santiago de Compostela
- Susan Hiller, Museu de Arte Contemporânea de Serralves, Porto

3 Obras de Arquitectura Visitadas
- Herzog & de Meuron, Edifício Fórum, Barcelona
- Eduardo Souto Moura, Casa de Baião, Baião
- Rafael Moneo, Arquivo Geral de Navarra, Pamplona

3 Blogues Amigos (perdoem-me todos os outros mas as listas têm destas coisas)
- Glossolálias
- Bordado de Murmúrios
- Marketing Axiológico

3 Blogues de Visita Frequente
- Dias Felizes
- Da Literatura
- Incomunidade


Agradecimento

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"Ennoia" »» Monika WEISS
O Carlos, mais conhecido por C.S.A. (e muitas vezes confundido com a série policial C.S.I. ... hehehe!), porque é uma pessoa generosa, resolveu oferecer Etc.as como presentes de Natal aos blogues amigos. Ao Povo ofereceu o belíssimo Etc. acima com a Legenda "Ennoia de Monika Weiss". Em nome do Povo (e acho que eles me permitem a ousadia) o nosso muito obrigado e o desejo de um 2006 MUITO FELIZ para o Carlos e para todas as outras pessoas que vão passando cá pela casa.


Da Blogosfera

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Para que saibam que o de Génese não morreu. Continua AQUI.


Espasmos # 5

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E alguém sussurrou ao longe algo que me pareceu ser assim:

“Diante do Tempo, a vida
Pode parecer uma irrelevância
(Talvez o seja mesmo).
O que fazer se o irrelevante
É tudo o que possuo?
Fechar uma porta,
Apagar a luz
Faz toda a diferença.
Não tenho a eternidade para saber...”


sublinhado #005

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“- O que são conchas?
- São… São umas caixinhas redondas muito bonitas. É o mar que as faz. E quando as encostas ao ouvido, ouves o barulho do mar lá dentro.
- O mar faz caixinhas e mete-se lá dentro?
- Mete a voz dele lá dentro. Não gostavas de ir a uma praia ver as conchas?
- Acho que sim.” (pág.234)
Dias Exemplares, Michael Cunningham


Poemário #006

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Epístola sobre o Suicídio

Suicidar-se
É coisa corriqueira.

Pode-se falar nisso à mulher-a-dias
Discutir com um amigo os prós e os contras.
Há que evitar um
Certo pathos simpático.
Mas não é preciso fazer disto um dogma.
No entanto, parece-me preferível
O pequeno Bluff do costume:
Estar farto de mudar de roupa, ou melhor:
A mulher pôr-los
( O que faz um certo efeito aos que se impressionam com essas coisas
E não é demasiado bombástico.)
De qualquer modo
Não se deve dar a impressão
De que se dava
Muita importância a si mesmo.

Bertolt Brecht
In “Poemas”, Campo das Letras
Trad. Arnaldo Saraiva


Link da semana

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Esta semana vai para o Incomunidade.


Missivas

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A carta de Beatriz vazou-me o peito. Senti-me mutilada como se inadvertidamente pisasse numa mina e de repente – onde estão minhas pernas?

Pus-me de luto por ti e por todos os sonhos abortados. Pela primeira vez compreendi, na carne, a dor de não poder ter filhos. Senti que a vida escorria-me do ventre numa hemorragia doída e incontida. Sonhos que não vingam são como filhos abortados.

Invejo e admiro-te, minha querida amiga, mais do que qualquer pessoa que tenha conhecido, tu soubestes transformar morte em vida.

Na próxima semana embarco para Paris. Vou ao lançamento d’O diário, vou colher os frutos rubros e selvagens produzidos por tuas mãos.


Com esta, encerra-se a série Missivas.


FELIZ NATAL

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imagem: "Pazzi Madonna"»» DONATELLO
música: "Suite nº5 in C Minor, Saraband" »» J.S. BACH
O Povo é Bom Tipo deseja que o Natal traga a fé renovada aos corações porque a fé também atende pelo nome de amor e só o amor é capaz de nos fazer renascer para a vida.


Saraband

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"Saraband" »» Ingmar BERGMAN
Ontém vi Saraband pela primeira vez. É impressionante a capacidade de Bergman de traduzir o essêncial de forma tão simples. Nada de artifícios narrativos, uma estória simples e um drama a roçar a universalidade... tudo conseguido apenas pela entrega dos actores, a magia de um coração e muito, muito trabalho e rigor. Um bom presente de Natal!



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Dueto
(Chico Buarque)

Consta nos astros, nos signos, nos búzios
Eu li num anúncio, eu vi no espelho, tá lá no evangelho, garantem os orixás
Serás o meu amor, serás a minha paz
Consta nos autos, nas bulas, nos dogmas
Eu fiz uma tese, eu li num tratado, está computado nos dados oficiais
Serás o meu amor, serás a minha paz

Mas se a ciência provar o contrário, e se o calendário nos contrariar
Mas se o destino insistir em nos separar
Danem-se os astros, os autos, os signos, os dogmas
Os búzios, as bulas, anúncios, tratados, ciganas, projetos
Profetas, sinopses, espelhos, conselhos
Se dane o evangelho e todos os orixás
Serás o meu amor, serás a minha paz

Consta na pauta, no Karma, na carne, passou na novela
Está no seguro, picharam no muro, mandei fazer um cartaz
Serás o meu amor, serás a minha paz

Mas se a ciência provar o contrário, e se o calendário nos contrariar
Mas se o destino insistir em nos separar
Danem-se os astros, os autos, os signos, os dogmas
Os búzios, as bulas, anúncios, tratados, ciganas, projetos
Profetas, sinopses, espelhos, conselhos
Se dane o evangelho e todos os orixás
Serás o meu amor, serás amor a minha paz

Consta nos mapas, nos lábios, nos lápis
Consta nos Ovnis, no Pravda, na vodca


Poemário #005

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A forma justa

Sei que seria possível construir o mundo justo
As cidades poderiam ser claras e lavadas
Pelo canto dos espaços e das fontes
O céu o mar e a terra estão prontos
A saciar a nossa fome de terrestre
A terra onde estamos – se ninguém atraiçoasse – proporia
Cada dia a cada um a liberdade e o reino
- Na concha na flor no homem e no fruto
Se nada adoecer a própria forma é justa
E no todo se integra como palavras em verso
Sei que seria possível construir a forma justa
De uma cidade humana que fosse
Fiel à perfeição do Universo

Por isso recomeço sem cessar a partir da página em branco
E este é o meu ofício de poeta para a reconstrução do mundo

Sophia de Mello Breyner Andresen
in “O nome das coisas”, Caminho


Link da semana

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Esta semana vai para o Rotação dos Tempos.


Filo-Café Porto

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Falou-se de nietzsche e pessoa, de gregos e tragédia, de fátima, (de fraude?), de deus, do eu, do ego, de pessoas, de poesia. Falaram vozes pasmadas por existir... apesar do frio, gostei(amos). Obrigado Alberto pelo convite e pelos livros (estamos no Natal mas não contávamos com tanta generosidade).
son de poesía
Dedicava-me a espetar os garfos
como se tivesse o conhecimento
da vida e da morte.

No meu quarto capital, ardia.

Depois asfaltava o ego antigo e fugia
de todos os transportes.

A massa histórica existe, está-me
na cabeça qualquer gaveta que abra
é uma época, uma cidade, um casamento, um herói.
Como posso existir no meio desta gravidez?

Os canais de Veneza, onde a peste
era esfinge
tinham um bordão submarino: a criança

a alga que a gôndola sobrepujava.

Aquela curva de olhar
de nunca mais olhar para a frente
contrário às andorinhas.

Alberto Augusto Miranda
in “son de poesia”, Edições Fluviais - Lisboa
(mais notícias AQUI)


Da Blogosfera

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Asa de papel com chá é um local onde se respira ternura. Gostei e adicionei ao linkódromo do Povo.


sublinhado #004

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"Somos todos a mesma pessoa. Todos queremos as mesmas coisas."(p.166)
Dias Exemplares, Michael Cunningham


Retiro de Passagem de Ano

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O Centro de Yoga e Meditação Ananda Marga convida a participarem no Retiro de Passagem de Ano - "O Mundo Maravilhoso da Meditação". O plano de actividades inclui caminhadas, aulas de yoga, palestras, jogos cooperativos e muitas mais surpresas.
De 29 de Dezembro a 1 de Janeiro na Seara - Quinta Ecológica e Pedagógica Gondomar, Porto


Incomunidade - Filo-Café

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O Incomunidade anuncia os próximos filo-cafés em Coimbra e no Porto (já no próximo Sábado, 17 de Dezembro)
Ver mais AQUI


Missivas

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A.,
Tomei a liberdade de abrir as duas últimas cartas que você escreveu para V. Peço desculpas antecipadas, pois não tenho como hábito violar correspondências, como você bem sabe, mas o momento tornou tudo isso necessário. Senti-me aliviada por tê-lo feito, uma vez que se aproxima a data de sua viagem.
O que tenho para dizer-lhe é urgente demais, A. Seria mais fácil e rápido dar um telefonema, mas faltou-me coragem para pronunciar as palavras. De qualquer forma, minha filha sempre adorou escrever, devotava às palavras um amor profundo e delicado, então, acho que ela aprovaria minha iniciativa. Também sei que cultivava o hábito de escrever cartas a você, pessoa que ela amou verdadeiramente.
Ela tem duas gavetas repletas de cartas – todas suas – cuidadosamente amarradas e catalogadas por datas.
Lembro que eu dizia-lhe para telefonar, mas ela redargüia: “os manuscritos são insuperáveis, mama. Eles guardam a ansiedade da espera, o contato da mão com o papel, a caligrafia pessoal e intransferível. Cartas possuem identidade e alma... sem contar que sou uma pessoa fora de moda”.
Dizia-me sempre que a correspondência entre Mário de Andrade e Manoel Bandeira, bem como a de Pessoa com Mario de Sá-Carneiro perderiam toda a graça e paixão se, ao invés de cartas, eles trocassem e-mails frios e impessoais.
Eu ria dessa mania dela e hoje, depois de anos sem escrever uma linha, vejo que ela estava completamente certa. Dizia com aquele ar petulante: “um dia minha correspondência com A. dará um belo livro”.
Querida A., acho que gostará de saber que Um bonde chamado desejo foi sucesso absoluto durante toda a semana que esteve em cartaz em Paris. Nunca tive tanto orgulho de V! Ela estava radiante e jamais Blanche Dubois (Vivian Leigh que me perdoe!) pareceu-me tão real.
Na semana passada, nossa V. telefonou-me de Berlim e contou-me que retornariam mais cedo que o previsto, pois um dos rapazes adoecera, acho que o “Stanley Kowalski”.
Bem, há três dias atrás, na viagem de volta, houve um acidente na estrada e o ônibus da companhia de teatro tombou... nossa V. não resistiu.
Sei que não é a mesma coisa, mas se ainda desejar, terei imenso prazer em recebê-las em minha casa, você e sua pequena Tereza.
Sinceramente,
Beatriz



"Herika Gonzalez, El Pinar, El Hierro" Abril 2001 »» Craigie HORSFIELD
Deixo-me por vezes olhar esta fotografia durante alguns minutos. Deixo-me ou forço-me, não sei bem. Sempre que o faço parto com frases diferentes murmurando-me na cabeça: tenho medo; não sei; nunca estive; quem és?; se te amo?; estou longe; não pertenço; quantos dias mais?... não concluo nada. Talvez seja essa a diferença entre a boa e a má fotografia.


Espasmos # 4

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A folha estava amarrotada num claro gesto de quem deitou fora uma idéia que não servia ou não conseguia desenvolver. Bem no centro do papel, em destaque, lia-se a palavra “memória”.
Queria lembrar-se de algo? Ou esquecer? Não importa, agora de possa da memória de outrem, escreveria sobre vidas que não me pertencem, mas que são parte de mim.


aqueles que eu amo

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Quando aqueles que eu amo erguem as mãos ao peito, e lentamente mergulham-nas sob a pele até sentirem o coração, e cuidadosamente retiram-no por entre a carne e as costelas, e seguram-no entre as mãos ainda batendo, e esticam os braços dizendo-me, toma, dou-to, é teu, e eu não tenho o mundo para oferecer-lhes, e o máximo que posso dar-lhes é o meu coração também, sofro, sofro demasiado, até perceber que tudo estava já partilhado, que o meu coração pertencia-lhes e o coração deles pertencia-me, que o mundo tinha já sido oferecido por uns e por outros, e que o único gesto em falta não era mais do que a tradução de tudo isso em palavras.


sublinhado #003

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"Ela disse: Deus é uma máquina sagrada que nos ama tão ferozmente, tão absolutamente, que nos devora a todos. É para isso que existimos, para sermos amados e devorados."(p.123)
Dias Exemplares, Michael Cunningham


Da Blogosfera

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em letras maiores,
there is almost nothing that has such a keen sense of fun as a fallen leaf
Post roubado do Dias com Árvores, ver mais aqui.


Para meu amigo a.g.

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POR LONGOS PERÍODOS DE CADA vez, eu esqueço que sou Deus. Mas por outro lado, a memória não é meu forte. Ela vai e vem como se tivesse vontade própria.

Da última vez em que ela me voltou, eu estava mergulhado em uma dessas depressões de fim de inverno. Uma noite, liguei a televisão e uma tempestade de eventos precipitou-se diante de meus olhos. Vi um vulcão cuspindo lava, uma corrida de esqui no Alpes, um filme sobre Paris como era há quarenta anos, uma caçada no Equador, um escritório em Otawa, uma cirurgia de coração de peito aberto transmitida ao vivo, um documentário sobre paisagens sumarinas do mar do Norte. A vida me capturou novamente em uma teia hipnótica. Enquanto a câmara se movia ao redor de uma flor no fundo do mar, lembrei-me subitamente de que eu havia criado tudo aquilo. A partir daquele momento, comecei a me sentir como sempre me sinto quando me lembro que sou Deus. Vi-me novamente como uma criança, ansiando pela primavera, preparando-me para céus claros.

Admito, desde já, que foi uma tolice criar o inverno. Mas não pude evitar. Ele bateu à minha porta e exigiu ser admitido no mundo. Agitava-se dentro de mim, insistindo em ser reconhecido. Eu sempre fui meio excêntrico, cheio de contradições e, apesar de todo meu amor pela luz, também tenho meu lado escuro.

Mas o inverno não foi minha única idéia mal-planejada. Na verdade, também não me entusiasmam os dias pesados e úmidos entre as estações. Como parece obstinada a chuva, caindo como se tudo fosse transformar-se em água, ou como se o mundo se resumisse a nuvens escuras e asfalto molhado. Não estou falando das trovoadas, das quais ninguém gosta, exceto eu mesmo e algumas outras almas chegadas a um clima dramático, em especial os poetas e amantes. Eu estou no trovão, assim como no raio. Eu estou em todas as explosões de paixão, pois é nelas que eu me renovo.

Franco Ferrucci
in A História de Deus (contada pelo Próprio), Imago Editora.


apontamento # 5

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O tempo começava a queimar-lhe as pestanas. Dias de espera e o horizonte não falava, nem uma palavra, nem uma lasca a furar-lhe os olhos como pressentira. A sua vontade era de caminhar no planalto, correr sobre a terra vermelha até que os pés fossem sangue e se confundissem com ela. Tinha a certeza que lá chegaria, e que debaixo da linha recta que dividia o céu da terra haveria um segredo muito maior, um mundo repleto de espelhos que produziam luz, como máquinas numa fábrica, todos sincronizados trabalhando em uníssono para o mesmo fim. E sabia ser essa a luz que lhe traria de volta o coração. Enquanto esperava, media a distância que o separava do horizonte. Dizia, se não é miragem o que vejo, então é porque deus me deu pernas para lá chegar. O homem que não sabia chorar pressentiu pela segunda vez e de novo acreditou. Meteu num bolso uma mão e no outro uma tesoura. E caminhou.


Poemário #004

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O exemplo de Leonardo

O Leonardo de dez anos
A andar de bicicleta
Caíu e esfolou o joelho.
Morreu com dores horríveis
A doença chama-se tétano
Oito linhas na Enciclopédia.
O pequeno Leonardo devia ser muito solitário
Se pensarmos que os seus amigos
Eram o avô já morto
Que ele só conhecia das histórias
E aquela bicicleta vermelha.
Dos três apenas resta a bicicleta
Arrumada na arrecadação escura
Entre fotografias de lutadores
E utensílios de pesca ferrugentos.

Tassos Denegris
in "A outra versão", Quetzal Editores


Link da semana

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Esta semana vai para o da literatura.


Discurso de Harold Pinter

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"There are no hard distinctions between what is real and what is unreal, nor between what is true and what is false. A thing is not necessarily either true or false; it can be both true and false.' I believe that these assertions still make sense and do still apply to the exploration of reality through art. So as a writer I stand by them but as a citizen I cannot. As a citizen I must ask: What is true? What is false?"(...)
"But, as I told myself at the time, our beginnings never know our ends."(...)
"But as I have said, the search for the truth can never stop. It cannot be adjourned, it cannot be postponed. It has to be faced, right there, on the spot."(...)
"Political theatre presents an entirely different set of problems. Sermonising has to be avoided at all cost. Objectivity is essential. The characters must be allowed to breathe their own air. The author cannot confine and constrict them to satisfy his own taste or disposition or prejudice. He must be prepared to approach them from a variety of angles, from a full and uninhibited range of perspectives, take them by surprise, perhaps, occasionally, but nevertheless give them the freedom to go which way they will.This does not always work. And political satire, of course, adheres to none of these precepts, in fact does precisely the opposite, which is its proper function."(...)
"One sometimes forgets that torturers become easily bored. They need a bit of a laugh to keep their spirits up. This has been confirmed of course by the events at Abu Ghraib in Baghdad."(...)
"Political language, as used by politicians, does not venture into any of this territory since the majority of politicians, on the evidence available to us, are interested not in truth but in power and in the maintenance of that power. To maintain that power it is essential that people remain in ignorance, that they live in ignorance of the truth, even the truth of their own lives. What surrounds us therefore is a vast tapestry of lies, upon which we feed."(...)
"It means that you infect the heart of the country, that you establish a malignant growth and watch the gangrene bloom. When the populace has been subdued - or beaten to death - the same thing - and your own friends, the military and the great corporations, sit comfortably in power, you go before the camera and say that democracy has prevailed. This was a commonplace in US foreign policy in the years to which I refer."(...)
"They died because they dared to question the status quo, the endless plateau of poverty, disease, degradation and oppression, which had been their birthright. The United States finally brought down the Sandinista government. It took some years and considerable resistance but relentless economic persecution and 30,000 dead finally undermined the spirit of the Nicaraguan people. They were exhausted and poverty stricken once again. The casinos moved back into the country. Free health and free education were over. Big business returned with a vengeance. 'Democracy' had prevailed."(...)
"Even while it was happening it wasn't happening. It didn't matter. It was of no interest. The crimes of the United States have been systematic, constant, vicious, remorseless, but very few people have actually talked about them.You have to hand it to America. It has exercised a quite clinical manipulation of power worldwide while masquerading as a force for universal good. It's a brilliant, even witty, highly successful act of hypnosis."(...)
"Listen to all American presidents on television say the words, 'the American people', as in the sentence, 'I say to the American people it is time to pray and to defend the rights of the American people and I ask the American people to trust their president in the action he is about to take on behalf of the American people.'It's a scintillating stratagem. Language is actually employed to keep thought at bay. The words 'the American people' provide a truly voluptuous cushion of reassurance. You don't need to think. Just lie back on the cushion. The cushion may be suffocating your intelligence and your critical faculties but it's very comfortable. This does not apply of course to the 40 million people living below the poverty line and the 2 million men and women imprisoned in the vast gulag of prisons, which extends across the US."(...)
"What has happened to our moral sensibility? Did we ever have any? What do these words mean? Do they refer to a term very rarely employed these days - conscience? A conscience to do not only with our own acts but to do with our shared responsibility in the acts of others? Is all this dead?"(...)
"The invasion of Iraq was a bandit act, an act of blatant state terrorism, demonstrating absolute contempt for the concept of international law. The invasion was an arbitrary military action inspired by a series of lies upon lies and gross manipulation of the media and therefore of the public; an act intended to consolidate American military and economic control of the Middle East masquerading - as a last resort - all other justifications having failed to justify themselves - as liberation. A formidable assertion of military force responsible for the death and mutilation of thousands and thousands of innocent people."(...)
"Well, Tony Blair wasn't holding him in his arms, nor the body of any other mutilated child, nor the body of any bloody corpse. Blood is dirty. It dirties your shirt and tie when you're making a sincere speech on television."(...)
"When we look into a mirror we think the image that confronts us is accurate. But move a millimetre and the image changes. We are actually looking at a never-ending range of reflections. But sometimes a writer has to smash the mirror - for it is on the other side of that mirror that the truth stares at us. I believe that despite the enormous odds which exist, unflinching, unswerving, fierce intellectual determination, as citizens, to define the real truth of our lives and our societies is a crucial obligation which devolves upon us all. It is in fact mandatory. If such a determination is not embodied in our political vision we have no hope of restoring what is so nearly lost to us - the dignity of man."
Harold Pinter,
Discurso para a cerimónia de entrega do Prémio Nobel da Literatura 2005


Para os amantes das letras

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"Letters from Mayhem, Q" »» Roger ANDERSSON
Ouço dizer muitas vezes que a pintura morreu, que as novas tecnologias e a fotografia a assassinaram e ocuparam o lugar de destaque que tradicionalmente assumia. Pois é, eu não sou dessa opinião, penso que a pintura nunca esteve tão viva como nos tempos que correm. O facto de terem surgido novas formas de comunicar na arte, deixou-lhe o caminho livre para ser explorada de forma menos preconceituosa e nota-se, da parte dos autores que a utilizam como o léxico fundamental das suas produções artísticas, um maior respeito e um prazer acrescido em questionar de novo o papel do desenho e da composição (assuntos relegados para segundo plano em muita da arte do séc. XX). Para comprovar o que digo sugiro um passeio pela pintura de Roger Andersson (jovem artista contemporâneo sueco), cuja delicadeza e elegância do trabalho sobrevive no meio da parafernália de imagens non-sense que a arte contemporânea nos vem habituando. Estou certo que os amantes das letras vão gostar destes trabalhos.


hoje tive vontade de oferecer-te isto

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Bem que se quis »» Marisa MONTE


apontamento # 4

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Então caminhou até que a dor aguda nos pés o lembrasse que estava vivo. Tinham sido necessárias cinco vidas para desviar o olhar do chão, cinco vidas para apagar de vez esse olhar curvado e entorpecido, cinco vidas para que os olhos colidissem definitivamente com o horizonte. De ombros renovados, caminhou. Caminhou até que de novo a dor nos pés o lembrasse que estava vivo. Pela primeira vez em cinco vidas, o homem que não sabia chorar pressentiu uma lasca de tranquilidade a furar-lhe os olhos. Num gesto só, ergueu-os ao horizonte e deixou-se pacientemente cegar.


sublinhado #002

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"Esperava que a cidade lhe proporcionasse ajuda por meios imcompreensíveis, como incompreensível era o destino das chapas de ferro estampadas que ele produzia na fábrica."(p. 90)
"Ocorreu-lhe que os mortos podiam estar presentes e ausentes do mesmo modo. Podiam estar no mundo sem lhe pertencerem inteiramente. E podiam vaguear como Lucas, podiam passar pelas janelas dos desconhecidos e olhar para dentro, para uma mulher e o seu retrato."(p. 95)
Dias Exemplares, Michael Cunningham


Exposição IPF

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O Instituto Português de Fotografia tem vindo a promover uma série de conversas públicas com diversas personalidades que têm, de algum modo, uma visão diferente sobre o olhar. Queremos fazer da nossa nova “casa” no Porto, um local de partilha de ideias e aquisição de saberes.
Encontros do Olhar quer chamar fotógrafos mas também quer ouvir médicos e filósofos, conversar com cientistas e artistas plásticos, músicos e sociólogos, repórteres e escritores. Quer ser local e momento, quer-se discussão e aprendizagem, troca e reflexão. A primeira sessão constituiu, no passado dia 6 de Outubro, uma interessantíssima conversa com Teresa Siza que é actualmente a directora do Centro Português de Fotografia, instalado na antiga Cadeia da Relação. A segunda constituiu um encontro com António Sá, fotógrafo de viagens e natureza que partilhou connosco um pouco do seu saber e experiência acumulada através da colaboração regular em publicações como Evasões, Grande Reportagem, Rotas & Destinos, Volta ao Mundo e National Geographic Portugal.
O nosso próximo encontro será no dia 7 de Dezembro, pelas 21.30h, desta vez com o filósofo Vitor Moura, professor de estética e filosofia da arte na Universidade do Minho. Esta conversa constituirá uma apreciação do chamado “cognitivismo estético”, uma teoria estética segundo a qual o mais significativo da arte reside no modo como permite aprofundar e enriquecer o nosso entendimento do que é um ser humano. Segundo esta teoria, a arte segue este programa, designadamente, a partir de uma exploração das nossas capacidades cognitivas, em geral, e perceptivas, em particular.
Paulo Gaspar Ferreira
A par da conversa com Vítor Moura a decorrer logo mais nas instalações do IPF será inaugurada a exposição "sem título" com trabalhos dos alunos do Curso Profissional de Fotografia. Desse conjunto de trabalhos fazem parte quatro fotografias do vosso amigo v. LEAL BARROS, que mais não são de que "4 estudos para um retrato".
Para os interessados na conversa com Vítor Moura ou numa visita à exposição, o Instituto Português de Fotografia fica na Rua da Vitória, 129, no Porto (mesmo atrás da cadeida da relação).


Missivas

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Minha A.,

Já é tarde aqui, mas não tenho sono. Acabei de chegar, tomei um banho e corri para o papel. Precisava te falar.
Como nossa correspondência andava tão íntima, acabei não te contando algumas coisas. Não, não foi esquecimento, apenas o momento não era oportuno.
Acabamos de ensaiar a peça, querida. Por sinal, hoje foi o último ensaio antes da pré-estréia que será amanhã.
Ficaremos apenas uma semana em cartaz em Paris, depois excursionaremos pela Europa.
Estou ansiosa, deve ser por isso que não tenho sono.
Ah! Consegui o papel da Blanche Dubois! Lembro de como adoravas esta personagem do Tenessee Williams. Ainda gostas, A?
É realmente incrível como vocês são parecidas. Já percebestes? Em todo o tempo de preparação, oficinas, marcação de texto, pude observar a semelhança. O processo de criação da personagem quase me esgotou porque foi um mergulho profundo em nossas vidas.
Queria dizer-te que suas últimas cartas foram cruciais para definir minha Blanche, A. Não tenho como te agradecer.
Estarei de volta à Paris no início da primavera. Aí abriremos para uma longa temporada.
Gostaria tanto que você viesse e ficasse o tempo que quisesse, A. Venha! Assista a peça e conte-me suas impressões. Descanse, dê um tempo para sua relação e, por favor, traga “nossa” filha para eu conhecer. Vai ser divertido. Mostraremos Amboise e seu jardim de delícias à pequena Thérèse. Quero que ela saiba da existência dos frutos rubros na mais tenra idade, assim ela saberá que a felicidade é um fato.

Estás sentada?
Meu maior sonho – depois daquele que se mostrou impossível – vai ser realizado. O diretor da minha companhia topou encenar A paixão segundo G.H!
Dei-lhe o livro de presente. Ele leu. Gostou. Marcou um encontro comigo, conversamos sobre o texto, o enfoque, trocamos idéias e ele quer dirigir um monólogo baseado no texto dela, da nossa Clarice. E tem mais! Ele vai usar o material do meu livro, lembra d’O diário de G.H? Meus apontamentos sobre o livro da Clarice? Pois é, o texto finalmente ficou pronto e eu encontrei alguém louco o suficiente para experimentá-lo.
A estréia da peça será simultânea ao lançamento do livro.
Eu não abro mão da sua presença, A!

Acho que depois disso, eu já posso morrer, querida. Dificilmente eu serei mais feliz do que sou agora.

Beijos,

V.

P.S.: Dentro dos próximos dias, não terei tempo de postar a carta. Então pedirei à minha mãe que o faça assim que ela puder.


Espasmos # 3

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E quanto mais gritava ao vento, menos era ouvida. A voz era dissipada pela velocidade do ar... senti-me órfã, abandonada, lançada ao redemoinho, ao pó... comigo, uma folha de papel era arremessada ao nada; esperei os movimentos, decorei sua rotação e no momento exato do rodopio, agarrei-a com as mãos...


sublinhado #001

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"Devia ter sido o primeiro a morrer, mas sobrevivera a todos os outros. Orgulhava-se disso. Teria gostado de o dizer a Alma e a Sarah."
pág. 48, Dias Exemplares, Michael Cunningham


Da Blogosfera

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Adicionados mais seis blogues no linkódromo do Povo... este, este, este, este, este e este.


Poemário #003

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nada os meus olhos deixarão na cinza
das vastas folhas envidraçadas: nem
o astrológico número das horas
autorizadas pela autoridade e sua penumbra.
a “penumbra da autoridade” vem vestida
de muitos horizontes com, aqui ou além, um barco
de velas estilhaçadas, ou a capa de um livro
de viagens na vitrina.
então o amor mistura-se com as coisas breves,
os pássaros, o rumor dos alicates na gaveta branca.
foi esta a sua história? esta canção pertence-lhe?
a “greve” alourou-lhe as sobrancelhas? estes olhos
têm plástico ao contrário. e o ruído
das torneiras no balde, mesmo
à beira do precipício,
é um inconveniente que convém manter
sob vigilância.

António Franco Alexandre
in “Poemas”, Assírio & Alvim


apontamento # 3

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"Braids", 1979 »» Andrew WYETH
E nos olhos não ficou nada. Foi como se a chuva apagasse definitivamente a lágrima e o sorriso, o mau e o bom. Naquele instante percebeu que já não sabia chorar.


Link da semana

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Esta semana vai para o Legendas & Etc.



Este é um dos poucos produtos em que tudo funciona bem! É bom, faz bem, tem vida longa e o design da embalagem foi tão bem estudado que ainda hoje consegue ser actual... (e tantos designers contemporâneos a querer imitá-lo!).
Apesé! Dois por dia e não sabe o bem que lhe fazia!


apontamento # 2

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Na casa que nasce das pedras viu-se o mar em delírio e as gotas grossas da chuva rasgarem o horizonte como diamantes afiados. Não foi suficiente a revolta do tempo para separar os amantes – no amor, a tempestade é um carburante da paixão.


Dia Mundial de luta contra a SIDA

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Dia Mundial de Luta Contra SIDA
Celebra-se hoje, dia 1 de Dezembro, o Dia Mundial de Luta Contra a Sida.
A Coordenação Nacional para a Infecção VIH/sida inicia o programa das comemorações com a abertura, pelas 10 horas da manhã, do Centro Móvel de Aconselhamento e Detecção Precoce da Infecção VIH/sida, em articulação com o Projecto Integrado de Prevenção “BAIRRO FELIZ” da Associação “Médicos do Mundo”, no Bairro Quinta da Serra, em Loures. Este projecto receberá a visita, pelas 11 horas, de Sua Excelência o Presidente da República. O programa prevê ainda, durante a tarde (15horas), a realização de “um espectáculo de teatro-debate onde se fala de tudo…menos de sida”.
Para não esquecermos que:
- o HIV não se transmite com um beijo ou com um aperto de mão;
- as pessoas infectadas com HIV merecem todo o nosso respeito. Basta de discriminação, acabemos de uma vez por todas com o estigma que envolve esta doença;
- a infecção HIV/SIDA não pode ser curada, mas pode ser tratada;
- dois terços da população infectada vive em África, numa situação de miséria absoluta, e não tem acesso aos tratamentos administrados na Europa e nos E.U.A. que aumentam significativamente a esperança de vida dos seropositivos.
- é fácil solucionar o problema africano se os governos dos países desenvolvidos perdoarem as dívidas externas e abrirem os mercados a estes povos, permitindo-lhes o acesso à economia global, e que temos a obrigação de como cidadãos forçar os nossos representantes políticos a tomar medidas nesse sentido;
- não existem grupos de risco, qualquer pessoa independentemente da sua condição social, da sua orientação sexual e do seu estatuto económico pode ser infectada se não tomar as precauções devidas. A infecção HIV/SIDA não é um problema que atinge apenas toxicodependentes e homossexuais.
- a única forma de saber se está infectado ou não é fazendo o teste de detecção do HIV.
Sobretudo é bom não esquecermos que dias como o de hoje servem para que "a nível comunitário o conhecimento real da infecção permita mobilizar recursos e respostas adequadas, reduzir a negação, estigma e descriminação que rodeiam a infecção VIH."


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