
Lavadouro/Balneário do Infante »»» J. Paulo PROVIDÊNCIA + Rosário ABREU
(clique na imagem para ver com maior detalhe)
Já há algum tempo que ando com vontade de escrever aqui sobre este edifício. Da arquitectura portuguesa construída nos últimos 15 anos, talvez seja uma das obras que mais admiro. Sempre que o cruzo por acaso, a identificação é tanta que me obriga a entrar e a descortinar novas impressões, algumas linhas não tão marcadas que por distracção perdi em visitas anteriores.
Quem vem da Ribeira em direcção à Alfândega quase nem o sente, não se apercebe da caverna inteligente escavada debaixo do granito – um muro, uma porta e um banco são suficientes para que a arquitectura aconteça, calada e serena como toda a arquitectura deveria ser.
Entrando, descemos de sala para sala através de galerias oblíquas conduzidos pela luz que nos chama a cada ângulo, a cada dobra do caminho. Por vezes sentimos o frio e o ressoado do betão, mas também isso faz parte da experiência, há uma espécie de metáfora nas paredes cinzentas e robustas, uma poesia qualquer que nos obriga a procurar conforto na luz. Ao fundo uma porta, os tanques estendidos perpendicularmente num laminado de xisto e um corte no tecto a trazer o dia, para que as mulheres (e os homens) possam de novo cantar enquanto roçam a roupa na pedra, como antigamente, como já não se faz.
O lavadouro/balneário do Paulo Providência e da Rosário Abreu vive pela forma silenciosa como agarra a envolvente e a transporta para o interior da terra, arrastando a luz e a cidade consigo. É cinzento como o Porto e vive afirmativamente dessa melancolia. Há quem o considere bruto, eu considero-o calado e tranquilo, repito, como toda a arquitectura deveria ser.
v. LEAL BARROS

No próximo dia 3 de Outubro (segunda-feira) haverá um grande eclipse solar, que será o maior dos últimos 100 anos em território português. As condições de observação serão especialmente interessantes na região norte do país, que será atravessada pela faixa de anularidade, mas o fenómeno será visível em todo o país. Só voltará a haver um eclipse anular em Portugal no ano 2028.
Em Lisboa e no Porto a hora de Eclipse Máximo será às 9h 53 min. com 81,9% e 89,7% de obscuridade respectivamente.
Mais informações AQUI.
Lá vai se vai Herodes, rodopiando ao bel prazer do torvelinho da água.
Enquanto aperta a descarga, ela deixa transparecer um riso esgarçado.
- O amor tem farpas. Então, aparemos as arestas!
***
Uma vez, ele lhe falou sobre aquele peixe tão bonito, de colorido incomparável, de escamas luminosas. Falou de seus hábitos, de como sua beleza era um mero pretexto, uma armadilha para fisgar admiradores desligados.
- Ao atrair a presa, o peixe executa um bailado hipnótico.
- Isso é horripilante. Tal como uma Salomé reencarnada, ao final da dança, ele exige uma cabeça na bandeja de prata.
***
Dias mais tarde, ele entrou em casa com aquele aquário odioso. Disse que tinha comprado para ela. Logo para ela que sempre detestou a idéia de ter peixes como bicho de estimação. Logo ela que não dispensa afagos.
Recebeu ‘aquilo’ sem muita emoção e foi tratando de arrumar um lugar num móvel da sala.
Sempre que passava em sua casa, questionava-a sobre os cuidados, se estava alimentando o peixe direito, se não esquecia de purificar a água e outras tantas coisas.
Até que um dia ele trouxe um saquinho nas mãos. Tinha as sobrancelhas arqueadas:
- Comidinha para o peixe. Hoje vamos poder ver a tal ‘dança da morte’. Lembra que eu te contei?
Não podia estar falando sério. Ela não queria ver nada. Muito menos um ritual de execução, ainda que isso fizesse parte da cadeia alimentar, do ciclo natural da sobrevivência animal, da ciência!
Ela fez tudo que pode para que ele esquecesse do fato: serviu o jantar, sobremesa, tomaram um café, licor, colocou um filme no vídeo cassete.
Terminado o filme, ela imaginou que pelo adiantado da hora, ele iria embora, mas não, levantou eufórico e foi pegar o saco. Abriu com cuidado e despejou o conteúdo dentro do aquário.
- Não quero ver isso.
Puxou-a pelo braço e apertou-lhe as carnes fortemente. Fez com que ela assistisse toda a corte, o balé, a sedução. Quando a dança acabou, o peixinho estava como que hipnotizado, não se mexia, apenas contemplava o novo ‘amigo’ estupefato.
E num último movimento, lento, compassado, Herodes abocanhou-o pelo rabo e quando chegou perto da cabeça, mordeu, dispensando a iguaria.
- Viu? Você percebeu? Nem por um minuto, Herodes brigou ou usou de violência. Ao contrário, enfeitiçou a presa de forma amigável até que ela ficasse entregue ao seu charme.
Atônita, ela simplesmente balançou a cabeça de modo afirmativo.
Excitado, ele foi se aproximando, agarrou-a pelos cabelos e trouxe seu rosto para bem perto de sua boca:
- Vou devorar você.
Apesar do medo, ela o encarou olhando bem dentro dos olhos:
- Devore, mas seja inteligente. Não despreze minha cabeça.
Afrouxou a mão dos seus cabelos, percebendo que mesmo acuada, era ela quem liderava a dança. Luciana MELO
Depois de 16 anos de labor e algumas interrupções, a ópera "Ça ira", escrita por Roger Waters, está finalmente concluída. O disco é hoje lançado no mercado internacional.
fonte: Jornal de Notícias
Volta a Portugal dos Livros facilita acesso à literatura
«Um livro em armazém é um livro que não existe. Partindo deste pressuposto, um grupo de editores lançou-se numa iniciativa ambiciosa a que chamou "Volta a Portugal dos Livros", uma espécie de loja itinerante que percorrerá o país disponibilizando obras que, normalmente, não se encontram nas livrarias a preços acessíveis.»
Leia mais aquifonte: Jornal de Notícias
...PIIIIIIIIIIIIIIIIIII...
O Povo É Bom Tipo comunica que em breve retomará a emissão.
Pedimos desculpa pelo incómodo.
...PIIIIIIIIIIIIIIIIIII...