A brisa soprava levemente


Enviar este post



Relembrar (?)



All personal information that you provide here will be governed by the Privacy Policy of Blogger.com. More...



A brisa soprava levemente, Nicole sentada num banco de jardim, sentia o cheiro a relva acabada de cortar. Tinha o seu bebé no colo, e o olhar preso no vazio. Mergulhada no oceano da sua alma, ouvia a sua música interior, a sua alma vibrava notas profundas e intensas. O mundo à volta girava a uma velocidade estonteante. Nicole parecia parada no tempo. O seu bebé chorava, mas ela não ouvia. O olhar preso no horizonte de sonhos perdidos.
A sua vida tinha parado há já algum tempo, limitava-se a observar o correr do mundo. Nunca conseguiu aceitar o que lhe aconteceu. Deixou de existir, naquela tarde de domingo, onde sem nenhum aviso prévio tudo aconteceu.
Não quis acreditar.

O seu bebé chora. Nicole aconchega-o, protege-o da leve brisa. Olha-o e vê como cresceu, embala-o. Ele sorri-lhe de olhar muito vivo.
Era este o sonho de Nicole. Ter uma vida a crescer no seu ventre. E este sonho tornou-se realidade. Teve o seu bebé no ventre e já aí conversava horas com ele. Tinha uma vida dentro de si, tudo era maravilhoso. Carregou-o no ventre durante nove meses, até que chegou o dia de o ter nos braços. Nem queria acreditar, era tão pequenino o seu bebé, tão bonito. Era uma verdadeira maravilha tê-lo aconchegado no colo, dar-lhe banho, dar-lhe de mamar.
Até que sem nenhum aviso, naquela tarde de domingo, dois meses depois de ter nascido, o bebé fica doente e desfalece em poucas horas no colo dos pais.
Nicole não quis acreditar, não quis aceitar, e ainda hoje passeia o seu bebé pelo jardim, ainda hoje o ouve chorar, ainda o embala, ainda lhe fala, ainda lhe canta…


2 Respostas a “A brisa soprava levemente”

  1. Anonymous v. LEAL BARROS 

    claudia...essa nicole vinha anunciada nuns textos teus anteriores...

    obrigado pela chávena....é linda!

    beijo

  2. Anonymous Lu 

    Puxa, Cláudia, que coisa!!!
    Muitas coisas dentro de mim... eu entendo a dor da Nicole, do mesmo modo que entendia a dor de V... há mortes que jamais acontecem dentro de nós.
    Beijos,

    P.S: Não sei a razão, mas quando li teu texto, um poema não saía da minha cabeça: Ismália.

Comentar

      Convert to boldConvert to italicConvert to link

 


O Blog

  • O POVO É BOM TIPO PRETENDE SER UM LOCAL DE PARTILHA ONDE LIVREMENTE SE TROCAM GOSTOS, AFINIDADES E INSTANTES DE VIDA. NÃO MAIS DO QUE ISSO.

A População

Séries

Últimos Posts

Livro de Ponto

Arquivo

Periferia

Outras Cidades

Cidades Desabitadas

Outros Povos

Manutenção

  • + Blogger
  • + BlogRating
  • + Blogwise
  • + eXTReMe Tracker
  • + A Música do Povo
  • + Os Links do Povo
  • + Protegido por CreativeCommons