Perdidos deambulamos por aí. Por vezes desligamo-nos de tudo o que nos rodeia. Quase deixamos de ser nós, apenas deambulamos, perdidos no tempo, no espaço, quase perdidos do nosso próprio pensamento.
Nestes momentos cheios de tudo e nada, questiono-me, será que valem a pena tantas angústias, tantas preocupações, tantos conflitos, tanto desespero? Desgastamo-nos tanto, ferimo-nos tanto, por vezes com coisas tão simples, tão sem razão… A vida por ela já é tão desgastante, cada vez mais desgastante… Que quase não temos tempo para nós, para fazermos o que gostamos, para reflectirmos, para estarmos mais tempo com quem amamos… Para pararmos um pouco e vermos o quanto o tempo é precioso.Nas minhas viagens diárias, em que utilizo o metro para chegar ao destino, como a viagem ainda é longa, costumo parar no tempo e no espaço e deambular por aí… Encosto-me ao vidro, e abandono-me aos meus pensamentos, às minhas reflexões, preocupações, momentos cheios de tudo e nada, e naquele banco só lá fica o meu corpo, as pessoas não me parecem reais, tudo parece um cenário, pessoas de olhar vazio, movimentos automáticos, pensamentos no tudo e no nada… Eu estou ali e não estou… Abandonada em mim, a mim, aos meus mundos de sonho, esperança, desânimo…
cláudia, muitas vezes sinto exactamente o mesmo...é como se estivessemos rodeados de gente e no fundo estarmos completamente sozinhos...essa cena do metro que descreves é-me muito familiar... uma vez perto da faculdade de letras havia um graffiti que perguntava "foste um bom robot hoje?" e no fundo é isso que nós somos...neste corre corre do dia a dia não temos tempo de olhar para dentro de nós e para dentro dos outros... gostei muito deste post....beijo grande
Cláudia, vagar pode ser uma ótima maneira de encontrar-se a si e os outros. Beijo.