Talvez sentado na janela


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Talvez da janela questionasse, ainda sem ter percebido, se ao fundo os olhos conseguiam alguma resposta. Há anos que não olhava para trás, tinha medo de olhar para trás e sempre que o fazia duas árvores tombavam violentamente na terra e diziam-lhe que não. Duas a duas caíram, duas a duas varreram o caminho e mataram as sombras. Tudo até que o horizonte fosse em linha recta e a água pudesse subir amolecendo os pés da casa.
Á espera e sem olhar para trás - ainda tem medo de olhar para trás - leva os joelhos ao queixo e as mãos aos tornozelos talvez sentado na janela. A água vai cercando e derretendo os pés da casa. Vindas de trás, duas a duas como jangadas afiadas, vê as árvores derrubadas ultrapassarem-no pela esquerda e pela direita, duas a duas flutuando em direcção ao futuro.
Não olha para trás - ainda tem medo de olhar para trás. Em baixo, os pés moles da casa. Na frente como velas em bolina, flutuam pela esquerda e pela direita, duas a duas, as copas ao longe, as raízes rasgando a parede branca. Talvez sentado na janela leve os joelhos ao queixo e as mãos aos tornozelos. Tudo, assim, até que nasça o silêncio.
v. LEAL BARROS


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