Olhamos o céu e prevemos nele o infinito onde nos vamos fundir. E no silêncio da alma vai-se construindo uma força de propulsão que nos diz que pelo éter é o caminho. Então percorremos os dias no perscrutar da luz e da palavra. E no momento dessa poesia sublime e superior esquecemo-nos das raízes que nos prendem à terra, e voltamos a perguntar onde mora a carne, onde corre o sangue, onde guardam o cheiro da terra? É nesta mistura de terra e ar que nos consumimos. E se na luz mora a libertação, na carne mora o mais essencial e primitivo dos prazeres. Talvez seja esse o eterno ciúme de deus.
v. LEAL BARROS
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