ARCHITECTVRA #002


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Uma Pedra no charco
A Casa da Música foi inaugurada e é o tema de café no momento. Há os mais conservadores que desprezam a sua arquitectura e acrescentam todos os problemas inerentes ao custo da obra, há os mais irreverentes, seduzidos pela novidade do equipamento, há quem reconheça qualidade no edifício e questione se a programação a decorrer de ora em diante estará à altura do investimento, há a oposição dos “tectónicos” à arquitectura de Rem Koolhaas e o fascínio dos “experimentalistas” por verem edificada uma obra destas características em Portugal. Enfim toda a gente tem a sua opinião, que mais ou menos bem fundamentada, alarga a discussão sobre um edifício e sobre a arquitectura a toda a população e não apenas aos arquitectos que tradicionalmente debatem estes assuntos. Sentirmos que um edifício permite uma discussão sobre a arquitectura a este nível é desde já um acontecimento extraordinário, sinal de que a arquitectura realmente diz respeito às pessoas, ao utilizador comum, e não apenas a uma classe.
Concorde-se ou não com o percurso arquitectónico de Rem Koolhaas, há que admitir que este edifício realmente é de uma qualidade extraordinária, mas não é o único. Vejamos: apesar da sujeição do OMA ao denominado “star system” e da comercialidade dos seus projectos mais recentes, e refiro-me aos edifícios da CCTV na China que mais parecem um tratado de estatística ou economia do que arquitectura, Rem Koolhaas é o autor de uma das obras que considero mais interessantes do período Pós-Modernista, a Villa dall’Ava em Paris. Este edifício é a materialização de uma reflexão profunda sobre o Modernismo enquanto movimento, numa actualização inteligente e crítica de muitos dos seus princípios. Salvo dois ou três arquitectos de excepção, não me lembro de nenhum que tenha percebido e revisitado a arquitectura Modernista de forma tão pertinente e profundamente inteligente. Alguns arquitectos esquecem-se também do quanto o utópico “delirious new york” contribuiu e contribui para o debate sobre a cidade. Bem sei que Koolhaas defende pontos de vista bastante discutíveis mas também Mies van der Rohe os defendeu quando desenhou o Glass Skyscraper em 1921 e mais tarde, em 1957, os materializou no Seagram Building.
A Casa da Música é um edifício extraordinário a todos os níveis, desde o seu conceito de edifício plural, aberto a todos, e que se traduz na sua espacialidade, passando pela organização do programa, o estudo de luz, a forma e os materiais aplicados, até à sua relação com envolvente que foi estudada ao mínimo pormenor (experimentem um dia visitar a Casa da Música e em vez de optarem pelo caminho mais directo, o da Praça Mouzinho de Albuquerque, façam um passeio pela envolvente e perceberão o que escrevo em relação à implantação do edifício). Se existe alguma crítica menos positiva a fazer ao OMA será a opção de programa que levou à exclusão dos espectáculos de Ópera na Casa da Música, já que nenhuma das salas possui fosso de orquestra e cena.
Dito isto, talvez seja de louvar a percepção de Camões em relação a um dos traços do povo português, o medo do novo e do diferente. O Velho do Restelo continua vivo em pleno séc. XXI. Construir um edifício com tal carga iconográfica não é tarefa para todos arquitectos, o Rem Koolhaas fê-lo com mestria. É caso para dizer que desta vez Deus deu nozes a quem tinha dentes.
v. LEAL BARROS


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