OLHARES #011

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A PRIMAVERA »»» SARA
Hoje a Sara ofereceu-me este desenho para celebrar a Primavera. Resolvi partilha-lo aqui por três razões, a primeira porque fiquei muito contente com o presente, a segunda porque o desenho é lindo (cá para nós, a Sara tem pinta de artista) e a terceira porque a Sara merece. Obrigado Sarita pelo presente.
v. LEAL BARROS


DESASSOSSEGADAMENTE #009

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Que me pesa que ninguém leia o que escrevo? Escrevo-o para me distrair de viver, e publico-o porque o jogo tem essa regra. Se amanhã se perdessem todos os meus escritos, teria pena, mas, creio bem, não com pena violenta e louca como seria de supor, pois que em tudo isso ia toda a minha vida. Não é certo, pois, que a mãe, morto o filho, meses depois já ri e é a mesma. A grande terra que serve os mortos serviria, menos maternalmente, esses papéis. Tudo não importa e creio bem que houve quem visse a vida sem uma grande paciência para essa criança acordada e com grande desejo do sossego de quando ela, enfim, se tenha ido deitar.
Bernardo Soares

in "Livro do Desassossego"
Obras de Fernando Pessoa
edição de Richard Zenith
Assírio & Alvim
4ª Edição - Maio 2003


OLHARES #010

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Se fosses uma fotografia, que fotografia serias?
v. LEAL BARROS


ESQUISSOS #016

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a rapariga do café não é bonita. o corpo desenha-lhe uma proporção estranha como se toda a timidez do mundo habitasse de modo preciso no elo que lhe curva as vértebras. mantém os olhos sempre baixos, em direcção ao chão, e do horizonte chega-lhe apenas o raio da bondade que lhe ilumina o sorriso. na sua quietude, leva-o de mesa em mesa por entre o amuo das crianças e a voz grossa do patrão. não me lembro de um só dia em que o não desenhasse nos lábios ou o tivesse esquecido no pátio da tristeza. a rapariga do café talvez seja uma estrela ao longe, situada no terceiro quadrante do olhar, daquelas que a lua vadia permite brilhar nas noites muito escuras. por serem raras, guardo-as com muito cuidado, até ao dia em que cinco minutos antes de partir, as vou contar e lembrar-me de como fui feliz.

v. LEAL BARROS


NA CAUDA DO PIANO #006

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Jack Johnson é um ex-surfista profissional, residente no Havai, amigo de Ben Harper e Donavon Frankenreiter. Traços que ajudam a compreender quase de imediato qual o resultado da sua música. A guitarra é a companhia escolhida e as suas músicas retratam, acima de tudo, uma calma e positividade eternas. O hino perfeito para a frase "always look on the bright side of life". In Be-tween Dreams é a sucessão lógica dos álbuns anteriores. A família (Johnson é um recém-pai babado), a natureza e o simples stay cool do momento são os temas dominantes. Melodias pop que passam, aqui e ali, por cheiros blues e folk e que agradam ao ouvido sem feitiço ou grandes segredos por descobrir. In Between Dreams é a materialização em álbum de músicas de praia e fogueira.
Texto retirado do site »»»
http://dn.sapo.pt/


OLHARES #009

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O KILIMANJARO JÁ NÃO É ASSIM
Ontem ouvi na rádio uma notícia que me deixou bastante preocupado. O jornalista dizia que se realizava uma cimeira ambiental em Londres onde se reuniam 20 países (entre os quais Portugal) representados pelos seus ministros do ambiente e energia. Aproveitando tal reunião, associações ambientalistas fizeram circular uma fotografia do monte Kilimanjaro sem neve pela primeira vez em 10 000 anos, informou o jornalista da rádio, pretendendo chamar a atenção dos dirigentes políticos para o problema do aquecimento global e das consequentes e dramáticas alterações climáticas.
Hoje, ao abrir a página do
Público, deparo-me com duas imagens de satélite do território nacional comparando a mancha verde num ano de precipitação normal com a escassa mancha verde deste ano, em que chuva nem vê-la.
Não é necessário fazer de advogado do diabo em relação às organizações ambientalistas porque sentimos diariamente que o clima anda instável e que as consequências dessa instabilidade custar-nos-ão muito caro.
Honestamente, começo realmente a preocupar-me com este problema e sinto que é forçosamente necessária uma intervenção imediata da sociedade civil no sentido de pressionar os governos, exigindo-lhes medidas e políticas que protejam o ambiente. Sabemos que não é tarefa fácil, a ver pelo comportamento autista de alguns países em relação ao protocolo de Kioto, mas se não arrumamos rapidamente a “casa” arriscamo-nos a ficar sem ela.
v. LEAL BARROS


O POVO É BOM TIPO #010

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"A FAKE DALI" »»» v. LEAL BARROS


A INFINITA PRATELEIRA DAS METÁFORAS #011

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piccadilly circus


Uma pomba atravessa Piccadilly Circus
em direcção ao rio

em baixo
grandes extensões desérticas de pernas
ressoam como forças paralelas
nos tubos do grande órgão

o homem
é o mar
e o mar “é em cima como nas gravuras”

no dilúvio da luz
um braço pica-se numa seringa
que hoje faz vinte anos de amor bárbaro
todos os lábios falam português por baixo das palavras selvagens que dizem
e mesmo os pensamentos de olhos muito azuis
ideando quem sou no subterrâneo alado
este onde o homem redescobriu o sol e o cobre de cabelos de liberdade
e o submerge no ouro das palavras
e o devasta de corpos e de auroras
Piccadilly Circus
Lugar geométrico da terra
disco rodando o espantosíssimo número
do casamento
do metal com a carne

Vicente Huidobro sobre a torre Eiffel em 1917
é aqui que estás hoje
com sacos de pop-corn
e gestos de quatro a quatro
na noite de cabelos mais alta que todas as luas

Sobre os dois seios de Trafalgar Square
a água sobe branca
aos olhos de Lord Nelson

eu entro sigo saio torno desapareço
caminho muito acima dos meus ombros
sou quem vejo num espelho que vai de autocarro
para um hoje de cidades sem fissura
sou o bombeiro que volta do incêndio
com nos dedos o riso do fogo extinto
a salamandra assistindo ao futuro
e ajeitando ainda
ainda um pouco
o colo

Mário Cesariny

in “Pena Capital”
Assírio & Alvim
Lisboa, 1999


PAREDES NO INFINITO #002

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OM, o som universal
O OM é a sílaba sagrada que representa o universo na sua totalidade. Não possui tradução literal e o seu significado é o Absoluto (Brahman). No pensamento hindu, esse poderoso bij-mantra é a origem de todas as coisas e de todo o ser. Os Vedas descrevem-no como a força natural básica intrínseca a todos os fenómenos da Natureza. É o som do Universo expandindo-se e é também o som do pulsar de cada átomo. É a essência dos Vedas e, portanto, o mantra entre os mantras. Tem sido relacionado com a palavra hebraica AMEN, utilizada para finalizar as orações da liturgia Cristã. O Om decompõe-se em três elementos: A, U, M, já que o som "O" resulta da fusão dos sons A e U.
alves PEDRO


CONVERSA DE GAJA #003

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em atraso:

O 8 de Março é Dia Internacional de Luta das Mulheres. Relembra entre outras lutas, a das operárias têxteis de Nova Iorque (EUA), em 1857, em greve por melhores condições de trabalho, a mobilização de mulheres de muitos países pelo direito ao voto e a ação política autónoma das operárias russas que desencadearam a Revolução saindo às ruas contra a fome, a guerra e a tirania.
Esta data foi construída pelas mobilizações das mulheres trabalhadoras de todo o mundo ao longo do século XX.
A principal referência histórica é a II Conferência Internacional das Mulheres Socialistas em 1910, quando Clara Zetkin propôs instaurar oficialmente um dia internacional das mulheres. É na Conferência Internacional das Mulheres Comunistas em 1921 que ficou registado que "uma camarada búlgara propõe o 8 de março como data oficial do dia internacional da mulher".
A partir de 1922, o Dia Internacional da Mulher é celebrado oficialmente no dia 8 de março.
CECIL


OLHARES #008

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11 DE MARÇO: PASSOU UM ANO


ESQUISSOS #015

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aos meus amigos:


há horas em que o silêncio da noite escorre-me pelas mãos como um suor frio carregado de uma estranha solidão. afasta-me irrecuperavelmente de tudo, até ao ponto em que a noite é toda escura e os anjos não são mais do que sombras mortas diluídas num imenso mar de negro. nessas horas em que sorvo o meu próprio veneno é difícil escutar os ecos que me lançam em forma de coração. então eles, os amigos, gritam mais alto, juntam-se em coro misturando todas as cordas para que a voz seja una, grave e forte. no fundo do tímpano entreabre-se uma porta e suavemente o estribo começa a entoar a melodia. agarro-me a cada nota com muita força e começo a construir o lençol que me leva até eles. quando o som é já tão próximo e o ar quente das suas vozes é uma brisa de amor na minha face, choro. e de lágrimas no rosto atiro-me nos seus braços pedindo-lhes desculpa pela minha imensa surdez.

v. LEAL BARROS


CONVIDADO ESPECIAL #004

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ONDE O SOL É UM VIOLINO DOURADO »»» BEATRIZ SEABRA
lá, onde o sol é um violino dourado que irradia música no tempo todo, onde os dias são sempre noite e as construções de cristal colorido e branco, onde as criaturas navegam no espaço numas máquinas, já envelhecidas que chiam e reclamam por repouso, na gravidade zero, o povo solicitou a presença de beatriz. sabia que ia ficar presa num cardinal e ao procurar inspiração no pano inteligente onde iria ser projectada, e porque quis silenciar os ouvidos, descobriu que afinal o povo tinha música para dar aos visitantes, sempre amáveis e hospitaleiros, como convém, apesar das mulheres serem distraídas pelos ares dos ventos vindos do norte, e pela luz do sol espelhada na ondulação do mar que lhes levanta as pupilas dos olhos, em polpa humedecida de encanto. e porque gostavam de observar as sombras dos passos dos caminhantes, já estavam muito habituados a fazer aquelas viagens nocturnas nas máquinas voadoras, velhinhas de cansaço, em busca de outros que como eles se transformavam numa outra espécie, mais pequena, talvez parecida com as nossas crianças, mas que confiavam porque viviam sempre numa atmosfera própria de bem querer. e comiam doces pelo caminho, enquanto observavam as estrelas, e quando se aproximavam dos planetas, onde iam repescar outros como eles, podiam observar as almas jovens pousadas nas nuvens a quem acenavam um sorriso pelo cruzamento. estacionaram a cambalear, a máquina voadora que tinha algumas frestas de corrente de ar, no jardim de beatriz. entrou na máquina, onde já lá estavam outros seres daquela espécie a quem perguntou se gostavam de fazer estas viagens pois pareciam já habituados a conhecer outros mundos. o condutor, que levava um chapéu de pala, deu-lhe um doce para a mão e todos lhe responderam que sim, que era divertido e ia gostar. e lá foram a percorrer o espaço ao lado das estrelas até chegar ao planeta onde o sol é um violino dourado que reluz música o tempo todo.
BEATRIZ SEABRA
via poesis publica


OLHARES #007

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THE THREE AGES OF WOMAN »»» GUSTAV KLIMT

Já me viram isto! Com 5 mulheres a participarem neste blog e nenhuma se deu ao trabalho de escrever um post sobre o Dia Internacional da Mulher, nem a mais feminista, não é CECIL! Andam muito bem tratadas estas raparigas Poveiras para nem se darem ao trabalho. Um homem sofre...puxa!

Em atraso (culpa delas), mas cá vai - Feliz Dia das Mulheres!


v. LEAL BARROS


O POVO É BOM TIPO #009

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SEDUÇÃO »»» v. LEAL BARROS


NEVA EM MIM #004

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Abro as minhas asas e saio de mim. Vejo-me de cima.
Tenho vontade de dançar à volta do mundo, numa dança flutuante...
Fecho os olhos e sou sugada para um mundo de sons, de cores, de cheiros.
Viajo a uma velocidade vertiginosa para um mundo criado pela minha mente.
Vejo formas de cores misturadas.
Como todas as mentes, a minha também tem potencialidades criativas e destrutivas.
Esta mente que é impossível domesticar.
Um grito lânguido sai do fundo de mim.
Da minha boca sai uma tinta vermelha que é cuspida para uma tela em branco, e crio, crio uma forma, uma vida saída de mim...
O azul celeste saído dos meus dedos, luta para ganhar vida na tela manchada. Os meus gemidos dão uma nova forma à tela, uns rasgões negros aparecem nela pintados...
É uma criação saída de mim, mas eu não consegui sair de mim... Continuo presa, presa aos muros que construí e que agora destruo, não quero muros, não quero limites , quero que o meu grito seja escutado em todo o infinito.
Olho para a tela e não consigo descortinar todas aquelas manchas, vejo que não me consegui pôr nela, a forma não faz sentido.
Num instante de fúria, destruo a minha criação, uma lamina fria e afiada, transforma em retalhos o pano onde me criei.
Atiro-me retalhada na parede, a tela fica cada vez mais destruida...
As paredes brancas ficam manchadas com a tinta fresca, a vida criada por mim tenta a todo o custo sobreviver, as lágrimas correm e queimam-me a pele, as minhas mão feridas sangram... e este liquido vermelho escorre de mim, mistura-se com as tintas, fica pintado na parede, no chão, em mim...
Deito-me no chão frio, o cansaço apodera-se de mim... Adormeço....
E sou sugada para outros cenários, para outros mundos criados por mim...

claudia NEVES


E DEPOIS DO CAFÉ? #012

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MILLION DOLLAR BABY »»» clint EASTWOOD
"A dureza não chega", assim como não chega a bondade, assim como não chega a morte... não há regras nem fórmulas para jogarmos a VIDA...
Neste filme boxe e eutanásia são temas secundários, o seu poder está definitivamente no desembrulhar assombroso da condição humana. Dou por mim a pensar se depois de Mystic River e Million Dollar Baby este senhor Eastwood não será alguma reencarnação de um clássico, arriscaria Sócrates.
Não tenho palavras perante semelhante obra de arte. Fico-me pelo agradecimento ao fantástico realizador e actor (que também compôs a música do filme) e aos actores Morgan Freeman e Hilary Swank pelas poderosas interpretações (se eu tinha dúvidas, certamente pouco razoáveis, ontém desvaneceram-se por completo). Talvez o filme da minha vida!
v. LEAL BARROS
Imagem retirada do site »»» http://milliondollarbabymovie.warnerbros.com/intro.html


NEVA EM MIM #003

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A tristeza cai em nós como a noite e não sabemos bem porquê. Envolve-nos com os seus braços penetrantes, tenta abafar a nossa luz.
Melancolia? Tristeza? Cansaço? Saudade?
Não sei...
Deambulo por mim... De mãos nos bolsos, olhar baixo, vou percorrendo as ruas das minhas cidades, dos meus campos, vou percorrendo as minhas paisagens desertas, geladas, as minhas planícies de flores...
claudia NEVES


OLHARES #006

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"WATERLILIES" »»» claude MONET

E nós não imaginavamos que ele fosse tão grande e tão belo. Há objectos como este, verdadeiramente poderosos, capazes de nos tirar do mundo por alguns instantes... resta-nos a memória.

v. LEAL BARROS


DESASSOSSEGADAMENTE #008

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Desde que possamos considerar este mundo uma ilusão e um fantasma, poderemos considerar tudo o que nos acontece como um sonho, coisa que fingiu ser porque dormíamos. E então nasce em nós uma indiferença subtil e profunda para com todos os desaires e desastres da vida. Os que morrem viraram uma esquina, e por isso os deixamos de ver; os que sofrem passam perante nós, se sentimos, como um pesadelo, se pensamos, como um devaneio ingrato. E o nosso próprio sofrimento não será mais do que esse nada. Neste mundo dormimos sobre o lado esquerdo e ouvimos nos sonhos a existência opressa do coração.
Mais nada… um pouco de sol, um pouco de brisa, umas árvores que emolduraram a distância, o desejo de ser feliz, a mágoa de os dias passarem, a ciência sempre incerta e a verdade sempre por descobrir… Mais nada, mais nada… Sim, mais nada…
Bernardo Soares
in "Livro do Desassossego"
Obras de Fernando Pessoa
edição de Richard Zenith
Assírio & Alvim
4ª Edição - Maio 2003


NEVA EM MIM #002

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Poderosamente frágil, estou mergulhada no mar da saudade. Peixes de escamas duras, numa atitude agridoce, roçam a minha pele.
Envolve-me a nostalgia.
Mas mesmo longe estás sempre no meu momento presente. Tatuado em todas as minhas células.
Fazes parte de tudo o que eu sou.
claudia NEVES


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