CONVIDADO ESPECIAL #003

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lili TUALSKI
via une jeune fille bien


O POVO É BOM TIPO #008

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"I'M NOT ALONE" »»» v. LEAL BARROS


ESQUISSOS #014

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o ar era de um poente cansado e na pele restava-lhe o perfume de um longo sorriso crioulo. voltando-se disse-me bom dia e nesse instante nada mais houve para além daquele olhar cor de prata em desafio constante ao infinito. eram os olhos mais belos que tinha visto. que deus cruel os haveria criado assim, como duas estrelas imensamente vivas e incandescentes refugiadas atrás de um espelho baço? hoje, quase choro ao lembrar aquela face nostálgica, quase choro ao lembrar que aqueles olhos nunca se viram, nunca contemplaram o seu brilho por serem cegos. como a beleza morre quando não há vida que a observe.
v. LEAL BARROS


NEVA EM MIM #001

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São as minhas células, os meus tecidos que se rasgam, os meus, mas mesmo assim não me consigo encontrar.
Já não consigo ver, ouvir, perceber, só sinto os cheiros...
Já não sei se acredito verdadeiramente nos sinais do Universo, ou se simplesmente quero acreditar neles a toda a força… Pois não consigo ver os sinais, não consigo ouvir, não os consigo seguir…
O meu olhar perde-se no vazio… vidrado pela mesma paisagem, nada mais consegue distinguir, não há palavras que chegam com o vento, não há uma mensagem numa música, não há uma mensagem num livro aberto ao acaso, nem o silêncio do meu coração fala, estou perdida no infinito que há dentro de mim…
Ainda tenho forças para me erguer, e empunhar a minha espada, numa atitude guerreira. Esperarei pacientemente, os sinais irão aparecer, não posso desistir, ou esperar que o Universo venha bater à porta da minha alma com todas as minhas respostas. Uns nascem com o seu Dom, outros têm de trabalhar para o descobrir...
Tenho de me encontrar...
claudia NEVES


COMUNICADO #010

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O POVO É BOM TIPO tem a honra de comunicar que apartir de hoje terá mais um novo habitante, a querida claudia NEVES. Sê BEM-VINDA claudia!


CURTAS #009

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"A FAKE - LA MARQUISE CASATI" »»» MAN RAY
Deleite futilmente inútil de solidão abafada. Foi o grande tédio das nossas mágoas, doce refúgio dos mentirosos. Rejubilo de ego gordo, polissaturado do verbo com bolor. O que resta da nicotina que a epiderme impregnou nas tardes cinzentas de Outono? Corpos que se saciam do fel e da amargura. E o tempo em almas lívidas de viver. Verbos esquartejados nos passeios ansiosos dos olhares que nos fixaram. Bailado de arritmias em lâminas afiadas despudoradamente. Exaltou-se a verdade e o belo na conspurcação e abusar da palavra Amor.
alves PEDRO


NA CAUDA DO PIANO #005

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Wim Mertens, compositor belga nascido em 1953, estudou no Conservatório de Bruxelas e formou-se em Ciências Política e Sociais e Musicologia nas universidades de Leuven e Gent.
Desde 1980 que tem composto diversas obras, com diferentes formatos, desde canções curtas e acessíveis a ciclos complexos de três e quatro partes, interpretando-as a solo ao piano, cantando numa característica tonal aguda e num idioma pessoal e imaginário, ou acompanhado por diferentes formações de câmara. Wim Mertens compõe também para obras de teatro e de cinema. Editou mais de 25 álbuns, todos eles com o selo belga da “Les Disques du Crépuscule”.
Entre os primeiros álbuns que gravou encontra-se “Close Cover”, que continua hoje a ser considerado um clássico.
Em Outubro de 1981 gravou um maxi-single com o título “At Home/Not at home”, duas peças de orientação clássica, acompanhado pelo saxofonista Peter Gordon. O LP “Vergessen”, lançado em 1982, inclui seis obras com vários instrumentos e foi o impulsionador da carreira de Mertens como compositor.
Mertens passou o verão de 1984 compondo música para teatro, para a peça “The Power of Theatrical Madness”, de Jan Fabré, que gerou grande polémica. O duplo LP “Maximizing the Audience”, resultado da parceria entre o compositor e o dramaturgo foi lançado posteriormente na primavera de 1985. A música de “Maximizing the Audience” tem uma qualidade narrativa que marca a evolução das canções instrumentais às vocais e ilustra o interesse crescente do autor pela voz humana. Mertens, consciente da qualidade corrupta a que pode chegar a linguagem, cria a parte vocal numa linguagem de sons não semânticos que relembram o francês antigo ou o latim. O ambiente espiritual que sugerem estas peças é comparável ao dos cantos gregorianos. “Maximizing the Audience” foi apresentado pela primeira vez no Royal Albert Hall em Londres.
No ano seguinte, 1986, deu início a “A Man of no fortune and with a name to come”, seis peças para piano solo e vocal. O lançamento foi acompanhado por concertos em França, Holanda, Bélgica, Espanha, Japão, EUA e Grã-bretanha.
Fruto dos seus concertos em Nova Iorque, Los Angeles e Houston, editou pela Windham Hill uma compilação para o mercado norte-americano. Pouco depois o realizador inglês Meter Greenaway encomendou-lhe a banda sonora para o seu filme “The Belly of an Architect”, rodado em Roma.
Em 1993, aquando da sua passagem pelo Teatro de S. Luís em Lisboa, Wim Mertens lança o disco ao vivo “Epic that never was”, um álbum intimista pleno de magia e serenidade. Nele incluiu o tema “Voo Outro” como tributo a Fernando Pessoa.
No ano 2000, depois da publicação da trilogia “Integer Valor-Intégrale” onde Mertens reuniu as obras compostas nos últimos cinco anos, foram publicados dois novos trabalhos, um dos quais “If I can” integrando composições anteriores com nova forma e novos arranjos.
Em 2001 re-editou “At home/Not at home” e publicou “Arens Lezen”, composto por 13 CDs em formato de quarto caixas, onde se nota a busca de Mertens pela sua música mais pura, procurando nela a essência da própria música.
Em Dezembro de 2003 Wim Mertens publica “Skopos”, estreado no castelo de Gaasbeek na Bélgica em Julho de 2002. Foi interpretado pelo Wim Mertens Ensemble, com 12 músicos em palco. A gravação em estúdio deste trabalho é ainda mais complexa, com grupos adicionais de cordas, metais e percussão.
“Skopos” é uma palavra grega, que significa “alcançar”, “concretizar um objectivo”, ou “uma linha musical seguida pela melodía” O álbum refere-se ao que podemos ver, ao que podemos ouvir, a tudo que pode ser ouvido e interpretado e que está “ao nosso alcance”. Apesar da profunda ressonância e tons das composições, estas referem-se mais ao que “não podemos alcançar”, ao que não é palpável, ao que não é necessariamente visível e perceptível, ou audível, ao que “está fora do nosso alcance”.
v. LEAL BARROS
Imagem retirada do site »»» www.wimmertens.be


OLHARES #005

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hoje fui surpreendido pelas minhas vizinhas, que devem ter uns 6 ou 7 anos, a gritarem muito alto, muito alto mesmo, isto:


Avião sem asa,
fogueira sem brasa
Sou eu assim sem você
Futebol sem bola.
Piu-Piu sem Frajola
Sou eu assim sem você
Por que é que tem que ser assim?
Se o meu desejo não tem fim
Eu te quero a todo instante
Nem mil alto-falantes
Vão poder falar por mim
Amor sem beijinho,
Buchecha sem Claudinho
Sou eu assim sem você
Circo sem palhaço,
namoro sem amasso
Sou eu assim sem você
To louca pra te ver chegar
To louca pra te ter nas mãos
Deitar no teu abraço,
retomar o pedaço
Que falta no meu coração
Eu não existo longe de você
E a solidão é o meu pior castigo
Eu conto as horas pra poder te ver
Mas o relógio tá de mal comigo
Porque? Pooooooorque?
Neném sem chupeta,
Romeu sem Julieta
Sou eu assim sem você
Carro sem estrada,
queijo sem goiabada
Sou eu assim sem você
Por que é que tem que ser assim?
Se o meu desejo não tem fim
Eu te quero a todo instante
Nem mil alto-falantes
Vão poder falar por mim
e eu sorri, sorri muito.
obrigado às minhas pequenas vizinhas e à Adriana Partimpim.
v. LEAL BARROS


AFORISMOS #006

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A mim, valeram-me mais os amigos do que o dinheiro.


José Alves

disse-nos em pessoa e não o escreveu em lado nenhum


E DEPOIS DO CAFÉ? #011

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Os arquitectos Rui Morais e Castro e Juan Cabello Arribas coordenam o ciclo de conferências a decorrer na Livraria Almedina do ArrábidaShopping intitulado “ARQUITECTURA EM CICLO – Olhares à Descoberta”.
O segundo desses encontros realiza-se no próximo dia 15 de Fevereiro (terça-feira) com o tema “Da Poética na Arquitectura” e será conduzido por Manuel Botelho, arquitecto e professor na FAUP, apresentando considerações baseadas na seguinte bibliografia: “La costruzione del desiderio” de Luciano Testa; “L’Architettura della realitá” de António Monestirolli; “Arte e Architettura, Nuove corrispondenze” de Lorenzo Dall’Olio; e “Estética, Tempo e Progetto” de Pierluigi Panza.
A conferência terá início ás 21.00 horas e a entrada é livre.
v. LEAL BARROS


CONVIDADO ESPECIAL #002

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"REJECTED" »»» DANIEL BLAUFUKS
Ainda Auschwitz...

É a minha primeira vez... e como qualquer boa debutante em Blog alheio, estou nervosa.
Nervosa porque confesso que quando me convidaram, pensei logo: "Rosa! Tens que escrevinhar algo que mereça ser lido", no entanto - parece que é sempre de propósito, não é? - não me vieram grandes iluminações.
Então lembrei-me: "Este POVO É BOM TIPO, não há motivo para preocupações" e resolvi apenas falar um pouquinho do livro que tenho em mãos, O Anjo Mudo, de Heinrich Boll.
Creio que tal como o amigo VLB (o que de vós conheço melhor), absorvo as coisas duma forma quase real, diria mesmo que depois de penetrarem no meu campo magnético, se transformam quase numa outra realidade paralela. Não é doentio não, é apenas a minha forma de tentar dar-lhes a importância que elas têm, depois da filtragem e quando a merecem.
O caso em concreto, por agora, será ainda o dos 60 anos assinalados sobre a libertação dos prisioneiros do campo de extermínio nazi de Auschwitz-Birkenau, na Polónia. Data esta que entre todos nós mereceu posts, mas não foi para mim suficiente. Quis saber mais, ler mais - quase como que uma expiação pelos pecados em comum desta humanidade, quase como que uma homenagem por aquela gente. Assim, passando pela Hannah Arendt, que aconselho pela sua clareza e inteligência, e acabando (porque o tempo nunca é muito quando se quer ler) em Heinrich Boll.
Heinrich Boll foi Nobel em 1972. O seu Anjo Mudo é um livro que retrata a condição humana, a denúncia da miséria moral que o "milagre" da recuperação alemã ocultava, tal como Arendt, mas em forma de conto. Um conto tão triste e marcante como foi o pós-guerra.
Boll transporta-nos à vida de um rapaz alemão, que depois de ter sido chamado para uma guerra que não era a dele, se vê sem nada na sua cidade d'outrora. È um retrato de como se sobrevive aprendendo a viver.
Dentro do fado miserável da fortuna de ter ficado vivo, Hans perde-se entre as ruínas das ruas mas encontra Regina, uma viúva que tinha acabado de enterrar o filho, duas almas que se unem pela desgraça e redescobrem que o pouco que podem dar a cada um, é mais do que descobrimos, ao ler o livro, que damos uns aos outros no meio da abundância.
É a exaltação do regresso às pequenas coisas que deixaram de ter importância numa sociedade de facilitismos descartáveis como a nossa, uma verdadeira descrição psicológica ao pormenor do autor. De leitura obrigatória.

Do mesmo autor: O comboio chegou pontual; Onde estavas Adão?; E não disse nem mais uma palavra; O pão dos anos moços; Opiniões de um palhaço; Retrato de grupo com senhora; A honra perdida de Katharina Blum.
rosa DART
via Marketing Axiológico


OLHARES #004

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"PASIÓN Y DOLOR" »»» FRIDA KHALO



Procurei-te um lugar,
um lugar de excesso e veemência
um grito, sei lá, uma lâmina branca
um cardo de metal em agulhas florindo.
Palavra que é esse o lugar
que para ti acho justo: palavra


Nuno Higino

in "No Silêncio da Terra"
Campo das Letras
Porto, 2000


ESQUISSOS #013

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e como a moabita deitaste-te a meus pés e ali dormiste toda a noite. sonhavas com o vento empurrando as pás gigantes no alto da ternura e como o sol te levava para uma terra sem pecado onde apenas o silêncio existia. olhava-te entregue ao sonho, imaginando as horas que nos guardariam o medo fazendo-nos pulsar o sangue mais forte do que bate o coração. então, fechei os olhos acreditando muito. e foi como um ar quente aconchegado ao ouvido que foi dito: se Ló lhe escapou também foi por amor.
v. LEAL BARROS


O POVO É BOM TIPO #007

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"TRAÇO" »»» v. LEAL BARROS


DESASSOSSEGADAMENTE #007

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SINFONIA DE UMA NOITE INQUIETA

Dormia tudo como se o universo fosse um erro; e o vento, flutuando incerto, era uma bandeira sem forma desfraldada sobre um quartel sem ser. Esfarrapava-se coisa nenhuma no ar alto e forte, e os caixilhos das janelas sacudiam os vidros para que a extremidade se ouvisse. No fundo de tudo, calada, a noite era o túmulo de Deus (a alma sofria com pena de Deus).
E, de repente – nova ordem das coisas universais agia sobre a cidade -, o vento assobiava no intervalo do vento, e havia uma noção dormida de muitas agitações na altura. Depois a noite fechava-se como um alçapão, e um grande sossego fazia vontade de ter estado a dormir.
Bernardo Soares
in "Livro do Desassossego"
Obras de Fernando Pessoa
edição de Richard Zenith
Assírio & Alvim
4ª Edição - Maio 2003



TÚLIPAS


As túlipas são excitantes de mais, é inverno aqui.
Vejam como tudo está branco, que silêncio, tudo coberto de neve.
Estou a aprender o sossego, deitada sozinha silenciosamente
Enquanto a luz persiste nestas paredes brancas, nesta cama, nestas mãos.
Não sou ninguém; não tenho nada a ver com explosões.
Dei o meu nome e a minha roupa às enfermeiras
E o meu historial ao anestesista e o meu corpo aos cirurgiões.

Têm-me aconchegado a cabeça entre a almofada e a dobra do lençol
Como um olho entre duas pálpebras brancas que não se fechassem.
Estúpida pupila, tudo tem de deixar entrar.
As enfermeiras passam e voltam a passar, não incomodam muito,
Como gaivotas em terra, assim passam elas com os seus toucados brancos,
Fazendo coisas com as mãos, uma igual às outras,
Por isso é impossível dizer quantas são.

Para elas o meu corpo é como um seixo, cuidam dele como a água
Cuida dos seixos que necessariamente cobre, afagando-os com suavidade.
Trazem-me torpor em agulhas que brilham, trazem-me o sono.
Agora que me perdi de mim mesma e estou tão farta destas coisas
Da mala de fim-de-semana envernizada como uma caixa de comprimidos preta,
Do marido e do filho sorrindo num retrato de família;
Os sorrisos deles prendem-se-me à pele, pequenos anzóis sorridentes.

Deixei andar as coisas, um cargueiro de trinta anos
Teimosamente fundeado no meu nome e na minha morada.
Eliminaram as minhas relações com o amor.
Amedrontada e sem roupa na cama de rodas com almofadas de plástico verde.
Vi passar o meu serviço de chá, as minhas gavetas dos linhos, os meus livros
A irem ao fundo longe da minha vista enquanto a água me cobria a cabeça.
Agora sou uma freira, nunca fui tão pura.

Eu não queria flores, apenas queria
Estar deitada de mãos postas e ficar completamente vazia.
A liberdade que isso é, nem imaginam a liberdade —
O sossego é tão grande que inebria,
E não exige nada, uma etiqueta com o nome, algumas coisas de nada.
E o que os mortos levam consigo, ao fim e ao cabo, imagino-os
Fechando a boca sobre ela, como a uma hóstia.

Antes do mais, as túlipas são demasiado vermelhas, ferem-me.
Mesmo através do celofane oiço-as respirar
Levemente, através das ligaduras brancas como um bebé feio.
O seu vermelho fala à minha ferida e ela corresponde-lhe.
Como são subtis: parecem flutuar mas sinto o seu peso em mim,
Incomodando-me nas suas línguas inesperadas e com a sua cor,
Uma dúzia de chumbos vermelhos à volta do pescoço, como lastro.

Ninguém me ligava nada, agora sim.
As túlipas voltam-se para mim, atrás de mim a janela
Por onde uma vez por dia a luz lentamente se espalha e lentamente mingua,
E eu vejo-me, sem graça, ridícula, uma sombra de papel recortado
Entre o olho do sol e os olhos das túlipas,

E sem rosto, tenho querido apagar-me.
As túlipas vívidas alimentam-se do meu oxigénio.

Antes da sua chegada o ar estava calmo,
Ia e vinha, a cada respiração sem grande agitação.
E depois as túlipas vieram ocupá-lo como um ruído estridente.
Agora o ar corre turbulento à volta delas como um rio
Corre em torvelinho à volta de um velho motor ferrugento.
Nelas centro a minha atenção que antes brincava e repousava
Feliz sem se comprometer com nada.

Também as paredes parecem estar a ganhar vida.
Deviam pôr as túlipas atrás das grades como aos animais ferozes;
Vão abrindo como a boca de um desses enormes felinos de África,
E eu compreendo o meu coração: quando se abre e se fecha é como
Um vaso de flores vermelhas pulsando de amor por mim.
A água que provo está quente e salgada, como a do mar,
E vem de um país tão longínquo como a saúde.
Sylvia Plath

in "Ariel"
trad. Maria Fernanda Borges
Relógio D'Água
Lisboa, 1996


PÉROLAS A PORCOS #007

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LA FONTAINE REVISITED
Ano 2005, estamos em pleno 3º milénio e esta era continua plenamente regida pelos bichos. Monsieur de la Fontaine está cada vez mais vivo porque a sociedade que ele descreveu apenas evoluiu no conteúdo mas não na forma. Hoje não vou falar da lebre e da tartaruga, mas da outra bicharada.
Não me vou alongar muito nos cavalos. Os cavalos aparecem nos média, são eloquentes, hoje dizem preto mas amanhã quando lhes for perguntado o que foi dito já dizem branco porque o branco condiz melhor com as aspirações do dia. Os cavalos são a velha nobreza.
Os ursos regem a selva e em seus domínios são temidos. Inteligência é sinónimo de força ou seja, a força é o que rege, mesmo que a isso tenham dado o nome de lei. A lei dos ursos está em todas as instituições, é lei e moral, e como tal quem se atreve a questionar a lei é devorado.
Abaixo dessa pirâmide e em maior número temos os porcos. Os porcos são gordos e não questionam a lei. Trabalham para a lei e para os ursos que eles tanto admiram. Os porcos gostariam de se transformar em ursos. Os porcos papam tudo o que encontram, metem-se em tudo e laboram para a ordem das coisas, não fossem os patos desviarem-se do caminho.
Os patos! Tantos patos e cada vez mais! Querem saber das suas patas e dos seus patinhos. Alinhadinhos, sempre alinhadinhos, seguem sem parar, sempre a andar, alinhadinhos, os patinhos e as patinhas. Acham muita piada aos pavões da quinta e talvez, quem sabe, um dia as penas não se transformem e ganhem o brilho dos grandes pavões.
Ando perdido nessa selvajaria porque nesse mundo não faltam hienas, abutres, cães de caça e mochos.
Sou apenas um patinho, feio por sinal, perdi-me dos meus, ando sempre desalinhadinho, não quero ser pavão, ando sempre sozinho, questiono tudo e todos, admira-me ainda não ter sido engolido – papadinho de todo!
alves PEDRO


E DEPOIS DO CAFÉ? #010

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“Vera Drake” é o último filme do britânico Mike Leigh. O filme conta a história de uma mulher de meia idade que se dedica a “ajudar jovens raparigas” clandestinamente e sem remuneração que, após anos de prática ilegal, é levada perante a justiça e condenada a uma pena de prisão.
O filme é de uma dureza impressionante, primeiro porque o tema de fundo, o aborto, é já por si forte e delicado demais e depois porque a forma como Leigh constrói a narrativa evidencia ainda mais seu lado cruel e desumano. Poderíamos reter apenas as cenas da diferença de classes, em que o dinheiro do rico é argumento para que o aborto seja praticado de forma segura e sem prejuízos para a mulher e o pobre depende do altruísmo de Vera, ou de outras menos altruístas que se aproveitam de uma necessidade para com isso ganhar a vida. Poderíamos reter as imagens do sofrimento daquelas mulheres que inclui não só a decisão penosa de desistir de uma gravidez como todo o medo associado às consequências da realização do aborto. Poderíamos reter a imagem da imigrante completamente assustada e cujo sofrimento nos é tão difícil de esquecer dias após termos visto o filme. Mas Leigh refina a dureza desta história, mostra-nos o lado mais belo da vida na família de Drake, na sua honestidade e compaixão, mostra-nos o amor como ele já quase não existe, acentuando-nos a dor, a sensação de injustiça perante todas aquelas mulheres e perante Vera, aquela mulher em especial.
Ao sairmos do cinema pensamos que a bondade não chega para que sejamos felizes. Mais do que o sofrimento de que somos testemunhas ao longo do filme é esta a grande perversidade da história - a bondade não chega!
É duro, mas é necessário ver.

v. LEAL BARROS

imagem retirada do site »»» http://www.veradrake.com/


CONVIDADO ESPECIAL #001

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Luta incessante
perdas e glórias.
Paro, atendo e me conformo
promessas de futuro morno em tons pastéis.
No minuto seguinte, não resisto aos demônios.
Suaves sussurros e convites outros
ao pé do ouvido.
Já não escuto; estou entregue.
Já não provo, me lambuzo em vermelho sangue.
Caem os véus. Um por um.
Estou inteira, desnuda, e como uma bacante, ofereço esta dança a Dionísio.
Olhos em brasa, provoco, instigo, conduzo;
Já não sei se sou eu ou se falam meus demônios
corrompendo
seduzindo
ultrapassando barreiras intransponíveis.

Ah ! Que delicia é o prazer sem medidas, prestações ou dúvidas.
Divido no banquete, o instinto puro com gosto de carne fresca e me sacio no perfume de jacinto.
Um brinde! Glória aos amantes!
Caio em êxtase e silencio.

Acordo em amarelo-ofuscante.
Sede; tenho sede.
Gosto ácido de fel.
Tenho sono
Tenho medo
Alma vazia.
Estou inerte. Semi-nua, semi-morta. Ainda assim, consigo ensaiar um urro por meus anjos!!

Lambe-se as feridas
estaca-se o sangue
Me aqueço
Me encolho
Peço colo.
Expio culpas
Me calo diante da negra noite
fria.
Faço novas promessas, juras, e asseguro paz, enquanto ali, mais adiante, pares de olhos me
observam
olhares lânguidos
sorrisos brancos.
Carpe Diem!
Maria Carvalho
via "Filhos de Athena"


COMUNICADO #009

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Apartir de hoje O POVO É BOM TIPO iniciará uma nova crónica semanal intitulada "Convidado Especial". Esta crónica tem como objectivo publicar n'O POVO textos que nos são próximos escritos pelos nossos Patrícios bloguistas. Assim, uma vez por semana, um patrício da blogosfera será convidado a incluir um texto seu n'O POVO É BOM TIPO. Caso o patrício convidado aceite o desafio, a População terá todo o prazer em incluir esse texto n'O POVO É BOM TIPO.
Esperando surpreender os nossos Patrícios,
O POVO É BOM TIPO


OLHARES #003

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"FUGA DO SISTEMA" »»» colectivo SABOTAGEM


AFORISMOS #005

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Devemos afastarmo-nos das pessoas demasiadamente infelizes. Arrastam-nos com elas.
Jacques Rivette


in "Histoire de Marie et Julien"


ESQUISSOS #012

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no primeiro dia mataram-me pelo sangue. exterminaram-me os genes e decidiram-me o futuro como se o céu sucumbisse ao destino sem resistência. no segundo dia mataram-me pela alma. arrastaram-me sobre a teia da loucura e do domínio como se a terra engolisse todo o veneno de uma só vez e o mar não fosse antídoto suficiente. das duas vezes ressuscitei. ouve-me, faz três invernos que não choro. entre a vida e a morte escolhi sorrir.
v. LEAL BARROS


O POVO É BOM TIPO #006

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"PASSEIA-ME" »»» v. LEAL BARROS


COMUNICADO #008

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O POVO É BOM TIPO pede desculpa aos seus Patrícios por ter eliminado os comentários de que tanto gosta. Tal deveu-se única e exclusivamente a um mau funcionamento da página que, na opinião da População, estava um pouco lenta. O POVO É BOM TIPO espera que o problema esteja de vez resolvido agradecendo a vossa compreensão. Aproveitando a resolução técnica O POVO É BOM TIPO resolveu tornar-se ainda mais autêntico, apresentando de hoje em diante a sua nova e definitiva imagem, totalmente independente de qualquer proforma de templates. Caso a População com o tempo se canse desta nova vestimenta todos os Patrícios serão avisados por Comunicado.
Agradecendo a Vossa compreensão,
O POVO É BOM TIPO


CURTAS #008

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Quantas vezes olhamos os outros nos olhos e paramos para ver realmente o que por detrás deles se esconde? Quantas vezes os olhamos e o que vemos é um reflexo de nós próprios? E quantas vezes me olham assim...? Olham-me, olhos nos olhos, mas não me vêem, não a mim... olham-me e procuram-se, escondidos por detrás dos meus olhos, revêem-se a eles próprios mas não a mim, não a mim... procuram a compreensão nos meus olhos. É mais fácil olhar os medos nos olhos dos outros do que enfrenta-los, frente a frente, defronte ao espelho. No espelho a imagem reflectida assusta, assombra, porque embora reflexa é sempre nossa. E como é difícil enfrentar o que sentimos olhos nos olhos... por isso, olhos nos olhos, servem-se dos meus olhos como também eu me sirvo dos seus para, olhos nos olhos, rever-me a mim...
alex ALEXANDRA


CRÒNACA DI VENEZIA #003

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"CARNEVALE MA NON TROPPO!" »»» anuXca


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