LEITURAS ÚLTIMAS #001


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"As Ondas" »»» Virginia WOOLF
Um dia Virginia escreveu: "Quero eliminar todo o desperdício, todas as coisas mortas, o supérfluo: dar o momento inteiro, com tudo o que faz parte dele. Digamos que o momento é um misto de pensamento, de sensação, a voz do mar... Esse medonho assunto da narrativa realista, avançar do almoço para o jantar, é falso, irreal, meramente convencional. Porquê admitir algo na literatura que não seja poesia - até à saturação, mesmo? É isso que quero fazer em 'As Mariposas'”.
“As Mariposas” seria o título inicial de “As Ondas” romance considerado por muitos a obra prima de Virgínia Woolf.

“As Ondas” é um deambular eterno pela condição humana onde Virgínia, através dos seis personagens da história, Bernard, Neville, Louis, Jinny, Susan e Rhoda, remete-nos para a voz que nunca fala, a voz companheira que apenas é ouvida no interior de cada um. Mergulhamos no interior dos personagens, conhecendo-lhes os medos e as inseguranças, as dúvidas e as metamorfoses, acompanhando-os no seu processo de crescimento e amadurecimento, como se tivéssemos a chave das suas almas. Reconhecemo-nos na curiosidade de Bernard, no rigor de Neville, no paternalismo de Susan, na insegurança de Louis e Rhoda e na sensualidade e autenticidade de Jinny. Somos, tal como eles, a combinação de todos e um pouco de cada um, admirando sempre um Percival qualquer, o único personagem sem voz no livro, na procura daquele ‘sei lá o quê’ que sempre nos falta, talvez uma força imaginária que nunca achamos ter.

“As Ondas” não é apenas uma “leitura última”, é um daqueles livros a que regressamos sempre.

O livro está publicado pela Relógio D’Água com tradução de Francisco Vale e pelo Público, na colecção “Mil Folhas”, com tradução de Lucília Rodrigues.
v. LEAL BARROS


5 Respostas a “LEITURAS ÚLTIMAS #001”

  1. Blogger Fernando_Vilarinho 

    O Público aproveitou a tradução de Lucília Rodrigues da Europa-América, publicada em 1992. A tradução de Francisco Vale é de 1988, que pelo sei, foi a primeira vez que se traduziu ´As Ondas´ para português (se exceptuarmos o brasileiro). Muito tarde, mais de meio século de hiato.
    Considero que ambas as traduções não são muito felizes (apesar da nível de dificuldade de tradução da obra). A tradução de Francisco Vale é demasiada rebuscada, se por hipótese no texto está "ele lia o texto" o autor é capaz de traduzir por "ele imergia nas palavras". Demasiado poético, um excessivo número de vezes. No extremo está a tradução de Lucília Rodrigues, demasiado formal e redutora, retirando muitas vezes o sentido literário ao texto.
    Mais vale esforçarmo-nos por ler o original.
    A obra Orlando tem uma relação estreita com ´As Ondas´ e deve ser lida como complemento, aliás a sua leitura deve anteceder a leitura de ´As ondas´ pré-contextualizando o leitor em certos domínios do universo woolfiano.

  2. Blogger Fernando_Vilarinho 

    só queria referir que a edição do Público foi das últimas da colecção a ter uma tiragem de 100 mil exemplares ( depois foram gradualmente diminuindo). Como tal, pressupõe-se uma boa difusão da obra, a médio e longo prazo, pelo menos potencialmente.

  3. Anonymous Anónimo 

    Boa sugestão.

    G.

    http://georgecassiel.blogspot.com

  4. Blogger Fernando_Vilarinho 

    devo dizer que a tradução de Francisco Vale, é bem melhor que a de Lucília Rodrigues,embora servindo (editoras com) propósitos diferentes. Talvez fui demasiado injusto relativamente ao profundo esforço de tradução que se patenteia no caso de Francisco Vale, com o intuito de transmitir a grandeza, riqueza criativa e beleza desta obra.

  5. Blogger Vítor Leal Barros 

    obrigado Fernando Vilarinho por toda a informação adicional...

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