COMUNICADO #007

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O POVO É BOM TIPO comprou roupa nova, não porque a anterior lhe vestisse mal, mas uma vestimenta mais personalizada assenta sempre melhor. O POVO É BOM TIPO deseja que os seus leitores se sintam mais confortáveis com a sua nova imagem que, apesar de renovada, não afectará em nada o seu conteúdo e a sua alma.
Um pouco mais vaidoso,
O POVO É BOM TIPO


A INFINITA PRATELEIRA DAS METÁFORAS #008

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Nós, que medimos a morte,
não entramos no roldão desassossegando
o mundo. Alimentamo-nos de seres
menores
néons macios controlados
por ogres, bolas de sabão
que em silêncio estoiram.
E às jazidas do sémen, o tenro veio da
madre
século após século retornamos.
Luiza Neto Jorge

in "poesia 1960-1989"
Assírio & Alvim
Lisboa, 1993


OLHARES #002

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60 ANOS DEPOIS DE AUSCHWITZ
... E A HUMANIDADE TEIMA EM NÃO APRENDER ...
“Jazíamos num mundo de mortos e de larvas. O último vestígio de civilização desaparecera à nossa volta e dentro de nós. A obra da animalização, começada pelos alemães triunfantes, fora levada a cabo pelos alemães derrotados.
É homem quem mata, é homem quem faz ou sofre injustiças; não é homem quem, perdida qualquer vergonha, divide a cama com um cadáver. Quem esperou que o seu vizinho acabasse de morrer para lhe tirar um quarto de pão está, embora sem qualquer culpa própria, mais afastado do modelo do homem pensante do que o pigmeu mais selvagem e o sádico mais atroz.
Uma parte da nossa existência reside nas almas de quem entra em contacto connosco: eis por que é não-humana a experiência de quem viveu dias em que o homem foi uma coisa aos olhos do homem. Nós os três devemos uns aos outros ter conseguido evitá-lo em grande parte: por isso, a minha amizade com Charles irá resistir ao tempo.”
Primo Levi
in "Se isto é um Homem"
Editorial Teorema
2002


ESQUISSOS #011

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estava no cimo da montanha mais livre do mundo quando o vento voltou da linha desfocada que separava o céu do mar. o vento contou-me que apelidavam esse traço enevoado de horizonte e que nele viviam apenas, o meu amor, o teu coração e o cabelo dela.
v. LEAL BARROS


PAREDES NO INFINITO #001

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Quando avistei o mundo pensei que tivesse surgido da terra. Não tinha surgido da terra, fora produto do homem, embora fazendo parte dessa terra. Sou da terra e estou no homem. Sei-me etéreo composto de milhões de partículas de nada. Quando sou algo é porque tenho o que ser, de outro modo não poderia reclamar tal direito, nunca seria ninguém. O chão fixa-me a essência, suporta-me esses milhões de microcosmos. Definem-me por um ser, quando na verdade nunca serei um. Das paredes ao infinito, encontrar um solo no qual me fixar. Para vos perceber paredes todas do meu quê, não vos posso menosprezar. Assim, só vivo em vós. Os limites circunscrevem-me no fogo, dão-lhe os contornos do visível. O milagre da junção de dois triângulos opostos na alquimia perfeita da sua junção, eis o mapa da tua alma incauto. Procura algures nesse ponto. Uma ponta virada para cima, outra para baixo, isto na parede, no infinito as pontas são todas, para todo o lado ou para lado nenhum. A estrela de David contém esse insolúvel mistério, observa esse milagre, sente-te homem, sê-te na essência do teu impossível, és o maior de todos os milagres.
alves PEDRO


E DEPOIS DO CAFÉ? #009

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E no fundo a verdade nem era importante, porque o amor não se rege pelo trago do orgulho. Mais do que uma teia de encontros/desencontros, atracções/fugas, amores/traições, “Perto demais” deambula pela necessidade de possuir, característica do amor masculino. É como que um punhal no orgulho do macho. Pelo olhar de Anna (Júlia Roberts) no final, Larry (Clive Owen) fica-lhe apenas com o corpo e com o orgulho inviolado. Já Dan (Jude Law) nem com a máscara da sensibilidade, quase feminina, detém o impulso da propriedade. Quando a verdade desnecessária pouco importaria à felicidade, o orgulho, filho da insegurança, interpõe-se e rouba-lhe o amor. Alice ou Jane (Natalie Portman), aparentemente a personagem menos forte, não entra no jogo. Ela é a insubmissão do domínio e talvez a única verdadeiramente livre.
Mais uma vez confirma-se a riqueza e intensidade dos argumentos de Mike Nichols e ainda tão na memória a série “Anjos na América”. É imperdoável perder este filme.
v. LEAL BARROS


DESASSOSSEGADAMENTE #006

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Há um grande cansaço na alma do meu coração. Entristece-me quem eu nunca fui, e não sei que espécie de saudades é a lembrança que tenho dele. Caí contra as esperanças e as certezas, com os poentes todos.
Bernardo Soares

in "Livro do Desassossego"
Obras de Fernando Pessoa
edição de Richard Zenith
Assírio & Alvim
4ª Edição - Maio 2003


E DEPOIS DO CAFÉ? #008

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Os arquitectos Rui Morais e Castro e Juan Cabello Arribas coordenam o ciclo de conferências a decorrer na Livraria Almedina do ArrábidaShopping intitulado “ARQUITECTURA EM CICLO – Olhares à Descoberta”.
O primeiro desses encontros realiza-se já no próximo dia 25 de Janeiro (terça-feira) com o tema “Duas ou três coisas para começar” e será conduzido por Álvaro Domingues, doutorado em Geografia e professor na FAUP, apresentando considerações baseadas na seguinte bibliografia: “The Language of Landscape” de Anne W. Spirn; “Court traité du paysage” de Alain Roger; “Revista Finisterra – Paisagem” da AA VV; e “Jornal dos Arquitectos – Paisagem”, da Ordem dos Arquitectos.
A conferência terá início ás 21.00 horas e a entrada é livre.
v. LEAL BARROS


CRÒNACA DI VENEZIA #002

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"ESCREVO-ME" »»» anuXca

escrevo-me no regaço obtuso do olhar que grita por dentro...
na silhueta de um raio de luz, obscuro de vidas...
escrevo-me na objectiva intensa do registo de outrém....
na incoerência absurda de uma alvorada rasgada em sorrisos...

escrevo-me....
escrevo-me nesses pedaços de ti que me compõe em essências...
na textura plácida da tua fronte impregnada de sentidos...

então sou partitura...
plano, na ausência de riscos de odores salgados...

e re-escrevo-me...
subtraio-me dos grilhões desse regaço obtuso...
toco a silhueta de um raio de luz...
e sorrio...
na imaturidade coerente desse olhar
"que arde sem se ver"....mas se sente!

anuXca


E DEPOIS DO CAFÉ? #007

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"NIPOMA" »»» DOROTHEA LANGE
O Centro Português de Fotografia apresenta quatro novas exposições abertas ao público até 13 de Março. Do programa fazem parte a “Colecção de Fotografia do Concello de Vigo”, com trabalhos realizados por diversos fotógrafos entre 1984 e 2000 no âmbito da Fotobienal realizada pelo Concello de Vigo e produzida pelo Centro de Estudos Fotográficos. Nesta exposição apresentam-se trabalhos de carácter monográfico de artistas já consagrados internacionalmente como Mário Giacomelli e Alvarez Bravo, bem como trabalhos de jovens fotógrafos dos quais se destacam Antoine DÁgata e Eggleston.
“Alexandre Delgado O´Neill”, exposição retrospectiva do trabalho do filho de Alexandre O’Neil e da realizadora Noémia Delgado, onde se verifica a procura do autor em apontar diversos caminhos na forma de comunicar e de retratar as inquietações do seu tempo através de uma obra diversificada e experimentalista. Alexandre Delgado O’Neill, apesar da sua vida breve, deixa-nos um punhado de trabalhos de uma intensidade inquietante reflectida nas suas fotografias, nas suas colagens e nos seus desenhos.
A “Colecção Ferreira da Cunha” é uma selecção do Arquivo Fotográfico Municipal de Lisboa e pretende ser uma panorâmica do fotojornalismo português na primeira metade do séc. XX. Destaca-se em especial uma fotografia de Ferreira da Cunha, “O Cardeal Patriarca D. Manuel Gonçalves Cerejeira de visita a um asilo de rapazes”, 1929, de uma beleza impressionante. Nesta fotografia vemos o cardeal Cerejeira ao centro, imponente, nas suas vestes eclesiásticas, rodeado por um grupo de rapazinhos órfãos. Apesar da intenção forte do enquadramento, os nossos olhos fogem do centro e fixam-se em cada canto da fotografia admirando cada um dos pequenos rostos que a preenchem, perguntando, que vida está por trás deste sorriso, ou destes olhos tristes?
Por fim a “Colecção Nacional de Fotografia: novas aquisições”, uma oportunidade única para ver a fotografia-ícone do instante decisivo de Henry Cartier-Bresson, os estudos anatómicos do movimento de Muybridge, o trabalho vanguardista de Fernando Lemos e ainda a intensa fotografia de Dorothea Lange, Nipoma, de 1936, um retrato do “crash” americano na década de 30.
v. LEAL BARROS


OLHARES #001

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POEMS ON THE UNDERGROUND
lê-se na imagem:
Sing a song of Esso

Sing a song of Esso

a packet full of lies
and oily greasy dollars
to help the climate fry
when the wallet opened
George Bush began to sing
"the planet may be burning
but I don't see a thing"
The boss is in the counting house

counting out his money
Bush is in the White House while
the weather's going funny
so let us now suggest to you
that when you see their logo,
do something for our planet Earth
and don't go buying Esso

Anon


ARCHITECTVRA #001

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BRASÍLIA »»» PASSEATA
FONTE: RIZOMA.NET
O USO POLÍTICO DO ESPAÇO: AS ESTRATÉGIAS ESPACIAIS INSCRITAS NOS CONFLITOS SOCIAIS DA AMÉRICA LATINA (1)
Coletivo LEMTO – UFF - Laboratório de Estudos de Movimentos Sociais e Territorialidades
Introdução

Toda a nossa investigação parte da consideração histórica e geograficamente observável de que o conflito social é parte das relações sociais e de poder. Nesse sentido, o conflito social é considerado não só como um fato social em sua positividade como, também, um fato-sendo-feito e, por isso, aberto às circunstâncias do lugar e do tempo em que ocorre. As relações sociais e de poder não se constituem como uma ordem cuja normalidade, vez por outra, seria acometida por disfuncionalidades, anormalidades, desordens e conflitos. Ao contrário, os conflitos sociais são parte da ordem social que constituem e que por meio deles se transforma/se afirma. Assim, o conflito social ganha uma enorme relevância teórico-política e, como tal, se coloca como um conceito fundamental para a constituição das ciências sociais na perspectiva de um campo do conhecimento preocupado com as mudanças e com as transformações da sociedade.
O conflito social nos oferece a possibilidade empírica de abordar as contradições sociais. Ele é a manifestação concreta dos antagonismos de grupos e classes e por meio dele se evidencia a experiência concreta de construção de sujeitos sociais, onde se configuram a construção de identidades coletivas, de motivações e interesses compartilhados, estratégias de luta, assim como formas de organização e manifestação.
Os tipos de manifestações são as formas pelas quais os conflitos efetivamente se concretizam. Uma manifestação é a concretização da ação desencadeada por um protagonista, é o conflito enquanto ato. A manifestação é o conflito stricto sensu. São as manifestações que permitem uma expressão espacial desses grupos sociais diante da sociedade. De forma alguma estamos afirmando que a existência dos conflitos sociais não seja possível sem as formas de manifestação, porém são através das mesmas que se apontam os afloramentos dessas problemáticas diante da sociedade em geral, muitas vezes desinformada ou distante desses conflitos.
CONTINUE A LER ESTE ARTIGO
O Coletivo LEMTO são: Leandro Riente da Silva Tartaglia, Carlos Walter Porto Gonçalves, Glauco Bruce Rodrigues, Leonardo Genaro, Leonardo da Costa, Luís Santos, Paulo Bahia, Pedro Quental, Tatiana Tramontani Ramos, Vitor Hugo.


COMUNICADO #006

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A partir de hoje O Povo é Bom Tipo iniciará uma nova crónica, Archileituras, dedicada à divulgação de artigos sobre a Arquitectura e Urbanismo. A População espera com esta iniciativa incentivar os leitores a ler e reflectir sobre as questões relacionadas com o desenho e o uso do espaço, tema que não diz respeito apenas aos arquitectos e urbanistas, visto todos participarem directa ou indirectamente na construção do mundo em que vivemos.
Esperando contribuir para algo,
O Povo é Bom Tipo


PÉROLAS A PORCOS #006

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NARCISO »»» CARAVAGGIO


FILHOS DE NARCISO

Desde muito cedo que o homem se apercebeu do poder da imagem. A consciência da morte e consequente culto verificado em todas as sociedades revelou-se, como nos diz Lewis Mumford numa “expressão de fascinação de si mesmo”. A capacidade de interpretar as imagens do quotidiano e as poderosas imagens de fantasia dos sonhos criaram nele uma espécie de necessidade em selar momentos, eternizando-os de algum modo. Verificamos que, desde as cenas do quotidiano paleolítico de Lascaux ou Altamira até à sumptuosidade da arquitectura funerária egípcia, existe uma intenção forte de apropriação da imagem enquanto tal, ou enquanto forma, como meio de atingir o belo e o imortal. A busca da eternização da memória pela arte é muito mais do que a criação ou o registo da beleza, ela é a constatação da natureza narcísica da própria condição humana. Como filho de Narciso, ou enquanto Narciso ele mesmo, o homem necessita intrinsecamente do perpétuo, marcando de forma mais ou menos subtil o rasto do seu percurso. Aceitemos portanto enquanto espécie, o egoísmo como elemento fundamental e primordial da nossa natureza sem dramatismos ou falsos moralismos.


Tendo como base o pressuposto de que somos a partir do momento em que nascemos animais egoístas, interessa-nos questionar até que ponto cultivamos ou sublimamos esse aspecto de carácter em cada percurso individual. Se fizermos uma retrospectiva sumária da História verificamos que, o modo como cada indivíduo lida com o Egoísmo é relativamente, para não dizer completamente padronizado. Confesso que não aprecio muito a etiquetização seja ela do que for e muito menos do que se relaciona com comportamentos humanos, considero no entanto que, sobre este assunto específico, ela é de tamanha evidência e a meu ver quase cruel. Dentro do todo Egoísta há portanto, o Egoísta Génio, o Egoísta Corporativo, o Egoísta Activista e o Egoísta Comiserado.
O Egoísta Génio nunca é atingido pela consciência e obedece à lei do impulso. Alheio a tudo que é exterior a si, como sejam os valores éticos, morais ou sociais estabelecidos, o seu egoísmo pode manifestar-se benévola ou malevolamente sempre que o instinto o determina, não advindo no indivíduo qualquer noção de responsabilidade ou culpabilidade decorrente do acto egoístico. É olhado pelos restantes como uma espécie de Egoísta Autista, isolado, suscitando sempre admiração e inveja, sendo deificado quando o egoísmo contribui para um “bem” comum ou odiado quando o egoísmo actua em sentido contrário.
O Egoísta Corporativo é completamente alheado de carácter. Não sabe nunca quando deve ou não deve exercer o acto egoístico e dificilmente tem consciência do modo como o usa. Ao contrário do Egoísta Génio, tem bem presente as consequências sociais resultantes da violação dos valores éticos e morais decorrentes do seu comportamento e, como tal, o verdadeiro acto egoísta que exerce é a integração num grupo ou comunidade que lhe garantam uma total desresponsabilização.
O Egoísta Activista é astuto, exercendo sempre o acto egoístico em consciência e em conformidade com o que de frutuoso dele resultar. Sabe que está sujeito e exposto aos modelos ético-sociais e à responsabilização dos seus actos, portanto, antevê sempre o seu plano, prevendo as dificuldades e engendrando uma possível escapatória. O Egoísta Activista é vaidoso e esperto. É detentor em si da própria essência do Egoísmo que combina sabiamente com outro dos seus atributos, o Orgulho, e, raramente é infeliz.
Por fim temos o Egoísta Comiserado que é uma espécie de mescla entre o Egoísta Corporativo e o Egoísta Activista. Ele combina o medo da responsabilização e a cobardia no exercício do egoísmo, do primeiro e, a consciência do seu uso deliberado enquanto arma de interesse pessoal, do segundo. Distingue-se dos outros apenas por uma consciência ético-moral profundamente enraizada e cultivada, da qual não abdica. O seu acto egoístico é tão e somente a resistência aos outros tipos de Egoísmo, enquanto espera egoisticamente que os outros acolham a sua boa fé, o que nunca acontecerá visto todos serem egoístas.
v. LEAL BARROS


ESQUISSOS #010

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sabes, naquele muro havia a vida e eu de nada sabia. talvez ele me tivesse falado durante o tempo do feitiço querendo que o nosso sangue se infiltrasse entre as pedras e as segurasse como o vento prende a velhice. eu sempre o senti lá, esse muro pertence-me eternamente. há dias em que me canta de novo, seduz-me, grita-me as horas em que terei a cabeça deitada no teu peito. e depois eu sonho morrer assim, com a orelha mais perto de deus.

v. LEAL BARROS


CONVERSA DE GAJA #002

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ILUSTRAÇÃO »»» ciro FERNANDES

Feminismo Radical - Principais ideias, conceitos e objectivos
A denominação de feminismo radical tem sido atribuída a uma grande diversidade de teorias, como tal não é fácil integrar todos os contributos teóricos num todo coerente (Beyson, 1992). Existem muitas posições antagónicas, o feminismo radical é sem dúvida um espaço marcado pelo debate de ideias e diversidade de posicionamentos, tentaremos apresentar algumas das principais inovações, assim como ideias basilares partilhadas dentro do movimento.
Segundo Beyson (1992; pp. 181; Munõz, Beltrán & Ávarez, 2001 ) podemos sintetizar e diferenciar o feminismo radical de outros movimentos e teorias feministas em algumas ideias principais:
- A opressão das mulheres é a forma fundamental e universal de dominação, o feminismo radical tem por objectivo compreender como essa opressão é exercida e de encontrar soluções para a anular
- As mulheres, enquanto grupo, têm interesses distintos ou mesmo opostos em relação aos homens, estes mesmos interesses unem as mulheres de tal forma que a divisão de classe ou raça se torna secundária,
- Para as mulheres alcançarem a libertação é necessário que se unam
- Baseia toda a teoria nas percepções e experiências individuais das mulheres
- Assume não ter necessidade de estabelecer compromissos entre as perspectivas e a agenda política, rejeita a ideia de utilizar e reproduzir ferramentas do sistema patriarcal
- Finalmente, o poder dos homens não se confina ao universo público da política e do trabalho, mas estende-se para a esfera privada.
Para subverter a opressão e eliminar o patriarcado seria necessária a libertação individual das mulheres, esta libertação passava pela consciencialização conjunta através da partilha das experiências individuais e femininas de opressão (Munõz, Beltrán & Ávarez, 2001). Esperava-se que as mulheres estivessem sós e juntas, isto é, comunicando com as outras, mas não estando constrangidas pelas outras, e, em simultâneo, percebessem que a opressão era partilhada pelas outras mulheres (Evans, 1995).
Apesar de partilharem a vontade de contrariar o patriarcado, as estratégias propostas pelas feministas variam, e em alguns pontos chegam mesmo a colidir. Algumas feministas rejeitam a competição pelo poder político, pois consideram que faz parte dos valores patriarcais e masculinos, como tal, também recusam a política convencional, as hierarquias organizacionais, defendendo o separatismo (Beyson, 1992). Enquanto que outras defendem que identificar o poder patriarcal permite-lhes uma avaliação mais realista das possibilidades políticas e da arena de conflito que as mulheres enfrentam, e a partir daí poderem desenvolver uma abordagem mais sofisticada ao poder patriarcal, relativamente à sua complexidade e natureza. Segundo este ponto de vista, as leis convencionais serão utilizadas de forma a tornar mais visíveis e inaceitáveis as diferentes formas de opressão sobre as mulheres como a violência e melhorar as perspectivas de emprego e educação (Beyson, 1992).
CECIL


CRÒNACA DI VENEZIA #001

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"VENEZIA" »»» anuXca

estou no interstício das coisas
submersa no sentido de uma onda rasgada
sem prumo, quando....como hoje
perdi o principio de mim...
e nesta metamorfose atemporal
em que o reflexo é silêncio
reflectido em essências multiplas
corrompo os grilhões do olhar
e encarno as células que preenchem a alma
corto o sorriso...
pela metade do líquido que me compõe
(estava gasto de odores)
lanço o outro lado no interstício do vento
escondido, na multiplicidade do olhar
e deixo-me submergir
no sentido dessa onda rasgada
dessa cumplicidade....da ausência do meu tempo...


anuXca


CONVERSA DE GAJA #001

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ILUSTRAÇÃO »»» ciro FERNANDES
Esta crónica pretende apresentar de forma breve os principais contributos do feminismo radical, como movimento social e político de transformação das relações de poder entre homens e mulheres. São exploradas as origens do movimento, apresentam-se as principais ideias e contributos teóricos, bem como as estratégias de intervenção e as autoras que mais se destacaram. Por fim, são apresentadas as principais críticas, vicissitudes e legados para os movimentos que se seguiram.

(..)
Pois nesse triste povoado
e cem léguas ao redor,
ser homem não é vantagem
mas ser mulher é pior.
Quem vê claro já conclui:
de dois males o menor.
Homem é grão de poeira
na estrada sem horizonte;
mulher nem chega a ser isso

ante as ruindades da vida,
de altura maior que um
monte.
(..)
É forma de escravidão
a infinita pobreza,
mas duas vezes escrava
é a mulher com certeza,
pois escrava de um escravo
pode haver maior dureza?
in "Estória de João-Joana"
de Carlos Drummond de Andrade
CECIL


COMUNICADO #005

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Caros Leitores, Amigos e Amigas, a População tem o prazer de anunciar que apartir de hoje contará com mais dois novos membros, a nossa querida CECIL e a nossa querida anuXca, agente infiltrada em Veneza. O Povo É Bom Tipo pretende ser um espaço cada vez mais diversificado e plural, colocando novos temas e outras afinidades on-line.
Sem mais, desejando Boas Vindas às novas Habitantes,
O POVO É BOM TIPO



Eu falo só na minha solidão, respondo a mim mesmo;
só eu fiquei de pé, sem nenhum apoio.
Tive um sonho do mundo de cima.
Estava no zénite, no meio do céu estava,
e agora estou doente, tenho doente o coração.
Estava perto do Pai do Céu,
estava muito perto da Mãe do Céu,
estavam perto os nossos pais,
noutra terra estava eu.
Ingénuo foi o meu coração: tinha de voltar outra vez
a esta terra.

Araucanos (Chile)

in "Rosa do Mundo"
trad. José Agostinho Baptista
Assírio & Alvim
Lisboa, 2001



ESQUISSOS #009

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um dia hei-de escrever-te como as crianças.

v. LEAL BARROS


NA CAUDA DO PIANO #004

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Sobre Aldina Duarte farei das palavras do Jorge Palma as minhas. Não lhes acrescentaria nem retiraria nada. Pedia-vos apenas que escutassem. O coração, mesmo o mais contraído, abrir-se-á com certeza. “Apenas o amor” Aldina, “apenas o amor”.

«Há uns anos, um grande amigo meu levou-me até ao Clube de Fado João da Praça (anda, Pacheco!), que eu não conhecia. Sei que estávamos sentados a beber vinho e a conversar, quando uma voz firme e profunda se fez ouvir por entre as guitarras, e nós calámo-nos. Não foi por mera boa educação, lembro-me bem, foi mais forte que o tradicional “silêncio que se vai cantar o fado!”. A verdade é que dei por mim completamente envolvido pelo mundo que aquela mulher me cantava, a saborear intensamente cada palavra, cada som que aquela boca soltava. Nessa noite fiquei a saber que se chamava Aldina e pouco mais. Entretanto, fomo-nos cruzando e trocando breves impressões, o mundo é mesmo pequeno, e foi com alegre surpresa, para não dizer espanto, que recebi o convite para escrever algumas palavras sobre este disco, pois não percebo nada das técnicas e dos códigos do fado. Claro que aceitei, porque não?, é a música da minha terra, são palavras que eu entendo – inteligentes e bem escritas, por sinal, e é uma voz que me atrai. Posso dizer que enquanto vou ouvindo este CD, aqui na minha sala, continuo a ter a sensação de que Aldina está em casa, em sua casa, a falar francamente comigo, cara a cara, sem jogo de artifícios. E o que ela diz é intenso, sentido, se o fado é fundamentalmente sentimento, então Aldina tem o condão de me fazer pensar, no momento em que canta “ai meu amor, se bastasse…”: - alto lá, esta mulher não está a brincar!, e o respeito é contagioso, tal como o prazer de ouvi-la cantar, mais e mais. Assim, também eu sou amante do fado.»
Texto de Jorge Palma retirado do inlay de "Apenas o amor", album de Aldina Duarte.
Imagem retirada do site »»» http://www.cm-oeiras.pt/Agenda/67/30_dias_musica.htm
v. LEAL BARROS


O POVO É BOM TIPO #005

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"FÉ" »»» v. LEAL BARROS


A INFINITA PRATELEIRA DAS METÁFORAS #006

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há poemas assim tão demasiadamente humanos. são capazes de levar-nos às lágrimas.

CANÇÃO

Dizem que esta cidade tem dez milhões de almas

Umas vivem em palácios, outras em mansardas;
contudo não há lugar para nós, minha querida, não há lugar para nós.
Uma vez tivemos uma pátria e julgávamos que era bela.

Olha para o mapa e lá a encontrarás;
mas não poderemos regressar tão cedo, minha querida, não poderemos regressar tão cedo.
O cônsul deu um murro na mesa e disse:

se não têm passaportes estão oficialmente mortos;
mas nós ainda estamos vivos, minha querida, ainda estamos vivos.
Lá em baixo no adro um velho teixo

todas as primaveras floresce de novo:
e os velhos passaportes não florescem, minha querida, os velhos passaportes não florescem.
Fui a um comissariado e ofereceram-me uma cadeira,

disseram polidamente para voltar no ano seguinte:
mas onde iremos agora, minha querida, onde iremos agora?
Fui a um comício público; o orador levantou-se e disse:

se os deixarmos cá dentro, roubar-nos-ão o pão de cada dia;
estava a falar de mim e de ti, minha querida, a falar de mim e de ti.
Ouves um ruído como um trovão roncando no céu?

É Hitler sobre a Europa dizendo: "Eles têm de morrer!"
Nós estávamos no Seu pensamento, minha querida, estávamos no Seu pensamento.
Vi um cão de luxo de jaqueta apertada com um alfinete,

vi uma porta aberta e um gato entrando;
mas não eram judeus alemães, minha querida, não eram judeus alemães.
Desci ao porto e parei no cais

vi os peixes a nadar. Como são livres!
a dez pés de distância, minha querida, só a dez pés de distância.
Passeei pelo bosque; há pássaros nas árvores,

não têm políticos e cantam livremente.
Não são da raça humana, minha querida, não são da raça humana.
Sonhei que vira um edifício com mil andares

mil janelas e mil portas;
nenhuma delas era nossa, minha querida, nenhuma delas era nossa.
Corri à estação para apanhar o expresso,

pedi dois bilhetes para a Felicidade;
mas todas as carruagens estavam cheias, minha querida, todas as carruagens estavam cheias.
Fui parar a uma grande planície, no meio da neve a cair:

dez mil soldados marchavam de um lado para o outro,
olhando para mim e para ti, minha querida, olhando para mim e para ti.

W.H. Auden

in "Rosa do Mundo"
trad. Jorge Emílio
Assírio & Alvim
Lisboa, 2001


ESQUISSOS #008

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conheço-te as sedas, prevejo nelas a tua morte. escuto o teu impulso descontrolado e talvez porque entre em ti percebo a ausência do poema. olho-te naquele rio, fria, tremendo por compaixão, iluminando sem forças a luta que te fez resistir nas décadas do nada. morreste feliz, tal como eu morrerei, porque acreditaste em tudo – no branco, no liso, na água e no vento. ele sofreu no dia em que caíste. lembrou-se do casaco enrugado. não. da mortalha enrugada.
v. LEAL BARROS



ANTIQUE

Gracioso filho de Pã! Ladeando a tua fronte coroada de bagas e florinhas, os teus olhos, esferas preciosas, movem-se. Duas manchas de esterco cavam-te as faces. Os teus caninos brilham. Teu peito é uma cítara, pelos teus braços loiros correm campainhas. O coração bate-te nesse ventre que abriga, adormecido, o duplo sexo. Passeia-te, de noite, articulando docemente a côxa, essa segunda côxa, e essa perna esquerda.
Jean-Arthur Rimbaud
in "Iluminações"
trad. Mário Cesariny
Assírio & Alvim
Lisboa, 1999


ESQUISSOS #007

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estavas sentada no café. as tuas pernas violentamente cruzadas amarravam por completo a vida como se nenhum olhar permitisse um resto de sonho. os teus olhos baloiçavam, lentamente, ritmados. não tocavam nada. lentamente, ritmados. eu não sabia o que te dizer. amanhã talvez encontres o fascínio. e eu, eu estarei feliz por ti.
v. LEAL BARROS


CURTAS #007

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Será Ardor? Aquele gesto em despudor. Silêncio que antecede o ritmo cadenciado de corpos aveludados. Fragas chocando-se em relâmpagos do alto mar. A perfeita simetria de opostos assimétricos. Órgão humedecido pela chama. Membros que se convergem com grande frenesim para beber, têm todos sede. E o calor, esse calor que emana de toda a nossa superfície. Um único ser, grito, dor. O belo na ponta de milhões de sinapses. Dá-lhe ritmo, isso, dança como a lua que morre como o dia.
alves PEDRO


A INFINITA PRATELEIRA DAS METÁFORAS #004

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II
Não sei como dizer-te que a minha voz te procura
e a atenção começa a florir, quando sucede a noite
esplêndida e vasta.
Não sei o que dizer, quando longamente teus pulsos
se enchem de um brilho precioso
e estremeces como um pensamento chegado. Quando,
iniciado o campo, o centeio imaturo ondula tocado
pelo pressentir de um tempo distante,
e na terra crescida os homens entoam a vindima
- eu não sei como dizer-te que cem ideias,
dentro de mim, te procuram.

Quando as folhas da melancolia arrefecem com astros

ao lado do espaço
e o coração é uma semente inventada
em seu escuro fundo e em seu turbilhão de um dia,
tu arrebatas os caminhos da minha solidão
como se toda a casa ardesse pousada na noite.
- e então não sei o que dizer
junto à taça de pedra do teu tão jovem silêncio.

Quando as crianças acordam nas luas espantadas

que às vezes se despenham no meio do tempo
- não sei como dizer-te que a pureza,
dentro de mim, te procura.

Durante a primavera inteira aprendo

os trevos, a água sobrenatural, o leve e abstracto
correr do espaço -
e penso que vou dizer algo cheio de razão,
mas quando a sombra cai da curva sôfrega
dos meus lábios, sinto que me faltam
um girassol, uma pedra, uma ave - qualquer
coisa extraordinária. como não sei como dizer-te sem milagres
que dentro de mim é o sol, o fruto,
a criança, a água, o deus, o leite, a mãe,
o amor,

que te procuram.



Herberto Helder

in "Ou o Poema Contínuo"

Assírio & Alvim
Lisboa, 2004


ESQUISSOS #006

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aquele foi um acordar difícil. sempre te disse que não era fácil rasgar-me as veias para que todo o veneno injectado ao longo das noites estéreis saísse. tu esperaste sempre. e disseste-me naquela manhã que um dia haveríamos de abraçar o mar e correr como loucos até ao ponto mais distante do infinito. sinto-me limpo. dá-me a tua mão, de hoje em diante nem o tempo nos detém.
v. LEAL BARROS


LEITURAS ÚLTIMAS #002

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"A Câmara Clara" »»» Roland BARTHES

A “Câmara Clara” (1980) foi o último livro publicado em vida por Roland Barthes, um ano antes da sua morte. A obra é uma meditação profunda sobre a imagem fotográfica e a Fotografia em si enquanto manifestação artística, na qual o autor transcende o seu próprio sentido crítico associando-lhe uma análise extremamente pessoal, por vezes apaixonada e dramática.
Rejeitando qualquer critério de classificação e definição, na sua opinião redutores, Barthes parte à procura da verdadeira essência da fotografia estabelecendo-se ele mesmo como mediador. “Verifiquei, com uma certa irritação, que nenhum deles me falava precisamente das fotografias que me interessam, as que me provocam prazer e emoção.” É precisamente através dessas fotografias, as que lhe provocam prazer e emoção que assenta toda a sua teoria. Colocando-se como observador ou spectator como lhe chama, o autor desenvolve as noções de studium e punctum, a primeira relacionada com toda a aculturação a que a fotografia está sujeita e que lhe permite ser entendia, “uma espécie de educação (saber e delicadeza) que me permite encontrar o Operator (…) como se eu tivesse de ler na fotografia os mitos do fotógrafo, confraternizando com eles, mas sem acreditar neles” e a segunda como o factor que distingue a fotografia das fotografias, o detalhe, o ponto que a desequilibra e lhe confere um significado mais amplo, “esse acaso que nela me fere (mas também me mortifica, me apunhala) ”. Ainda em relação ao punctum refere que essa intensidade, esse quê que transforma a fotografia num objecto amado não se traduz pelo pormenor ou pela forma, mas pelo Tempo, a “ênfase dolorosa” da essência, a constatação de que “isto foi”.
É a partir desta característica única e essencial da fotografia, deste “isto foi”, deste poder de verosimilhança que a fotografia detém, que Barthes parte para uma reflexão apaixonada e dramática sobre a vida e a morte. A fotografia poderá retratar um assunto vivo, mas sobre ele pairarão sempre o dedo assassino do fotógrafo que matou o momento e a pergunta invariavelmente presente se aquele ou aquela que vemos no papel são ainda vivos ou morreram pela enésima vez.

À luz das correntes contemporâneas, as definições estabelecidas por Barthes em relação à essência da fotografia, ao “isto foi”, poderão ser discutíveis. A fotografia digital e a manipulação das imagens quebraram por completo a tal verosimilhança do tempo fotografado. As imagens despidas de punctum são cada vez mais e a cada dia mais traiçoeiras, mais sugestivas e venenosas. “Cabe-me a mim escolher, submeter o seu espectáculo ao código civilizado das ilusões perfeitas ou enfrentar nela(s) o despertar da inacessível realidade”.

O livro está publicado pela Edições 70 com tradução de Manuela Torres.
v. LEAL BARROS


DESASSOSSEGADAMENTE #005

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"Eu não possuo o meu corpo - como posso eu possuir com ele? Eu não possuo a minha alma - como posso possuir com ela? Não compreendo o meu espírito - como através dele compreender?!
Não possuímos nem o corpo nem uma verdade - nem sequer uma ilusão. Somos fantasmas de mentiras, sombras de ilusões, e a nossa vida é oca por fora e por dentro.
Conhece alguém as fronteiras à sua alma, para que possa dizer - eu sou eu?
Mas sei que o que eu sinto, sinto-o eu.
Quando outrem possui esse corpo, possui nele o mesmo que eu? Não. Possui outra sensação.
Possuímos nós alguma coisa? Se nós não sabemos o que somos, como sabemos nós o que possuímos?
Se do que comes, dissesses, «eu possuo isto», eu compreendia-te. Porque sem dúvida o que comes, tu o incluis em ti, tu o transformas em matéria tua, tu o sentes entrar em ti e pertencer-te. Mas do que comes não falas tu de "posse". A que chamas tu possuir?"
Bernardo Soares

in "Livro do Desassossego"

Obras de Fernando Pessoa
edição de Richard Zenith
Assírio & Alvim
4ª Edição - Maio 2003


E DEPOIS DO CAFÉ? #006

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A propósito do filme “Histoire de Marie et Julien” de Jacques Rivette, com interpretações de Emmanuelle Beart (Marie) e Jerzy Radziwilowicz (Julien), não apresentarei qualquer sinopse. Por muito boa que fosse dificilmente traduziria a beleza deste filme. Direi apenas que é um filme sobre a vida, sobre os sentimentos de posse que destroem as relações entre as pessoas (“devemos afastarmo-nos das pessoas demasiadamente infelizes…arrastam-nos com elas”), sobre as pequenas coisas insignificantes do dia-a-dia, sobre a segunda oportunidade, sobre o medo (“tenho sempre medo do que desconheço”), direi apenas que é um filme sobre o AMOR, o amor livre e sublime (“dá-me tempo”). Como dizia a Alexandra Barreto do blog Seta Despedida, talvez este seja o filme do ano (2004).

O filme está em exibição até amanhã (10 de Janeiro) no Teatro do Campo Alegre. Arriscam-se a ver um dos melhores filmes dos últimos tempos!

Imagem retirada do site »»» http://www.allocine.fr/
v. LEAL BARROS


E DEPOIS DO CAFÉ? #005

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"Witness" »»» Susan HILLER
SUSAN HILLER E DOUGLAS GORDON EM SERRALVES
Susan Hiller nasceu nos EUA e vive em Londres desde 1970, cidade onde a autora ficou conhecida pelo seu trabalho interdisciplinar, empregando na sua obra vários suportes como o desenho, a fotografia, a instalação vídeo e áudio. A exposição de Hiller em Serralves, uma das três grandes apresentações europeias na temporada 2004/2005, integra os trabalhos “Rough Sea”, um inventário de cartões postais retratando o mar em fúria, organizados pela artista em diferentes grupos segundo as suas características visuais, explorando as relações entre o mar e a costa ao longo de diversos pontos do Reino Unido. Com base neste trabalho, surgiram a série “Addenda - Dedicated To The Unknown Artists”, catorze trabalhos emoldurados, na qual Hiller presta tributo aos artistas desconhecidos que fotografaram ou desenharam os postais de “Rough Sea” e a série “Towards an Autobiography of Night“, uma ampliação de postais nocturnos do mar encrespado, manipulados posteriormente pela artista com tinta dourada deixando sempre a impressão da sua mão, talvez como forma de lhes conferir uma autoria ou uma identidade renovada. A exposição integra também a instalação vídeo “An entertainment”, de 1990, baseada nos teatros de fantoches “Punch and Judy”, muito populares desde o séc. XIX nas estâncias balneares britânicas. Há indiscutivelmente neste trabalho uma exploração clara da violência destas comédias de “faca e alguidar” acentuada pelos sons distorcidos dos gritos e gargalhadas das crianças, publico alvo deste género de performances.
A exposição culmina com a instalação “Witness” de 2000, uma escultura sonora incrivelmente bela, composta por 400 altifalantes suspensos do tecto, onde se ouvem relatos reais de experiências sobrenaturais de encontros com extraterrestres ou visões de OVNIS, gravados em diversos países por Susan Hiller. Diga-se que percorrer esta escultura é algo verdadeiramente mágico, não só pelo que se pode especular da intenção da autora em questionar a fronteira entre o real e o imaginário, o inteligível e o subjectivo, mas também e sobretudo pela riqueza formal e estética da peça, de uma beleza estonteante.


Incluído na exposição “Time Clash” - um conjunto de trabalhos de instalação vídeo e filme recentemente incorporados na colecção da Fundação de Serralves realizados por artistas como Tacita Dean e Steve McQueen, está o trabalho de Douglas Gordon intitulado “Between Darkness and Light (after William Blake)”. O presente trabalho é uma instalação vídeo na qual se justapõem dois clássicos cinematográficos – “A canção de Bernardette” (1943) de Henry King e “O Exorcista” (1973) de William Friedkin – projectados em simultâneo numa tela gigante disposta no centro da sala. A interacção e o sincronismo dos dois filmes é verdadeiramente impressionante e de um rigor extremo. Assistimos a um diálogo estreito entre as películas questionando permanentemente a dialéctica entre o sagrado e o profano, entre o bem e o mal, entre a virtude e o pecado. Para quem conhece os filmes esta instalação é em cada diálogo e em cada cena de uma pertinência perturbadora.
Imagem retirada do site »»» http://www.abc.net.au/
v. LEAL BARROS


O POVO É BOM TIPO #004

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"ATÉ ONDE?" »»» v. LEAL BARROS


ESQUISSOS #005

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hoje procurei os teus braços. nunca te disse que o amor tranca a voz do meu instinto com a chave incómoda do medo. foi de manhã que procurei os teus braços.
v. LEAL BARROS


AFORISMOS #004

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pelas vítimas do maremoto,


Basta a miséria dum desgraçado, para que todos nós sejamos miseráveis.

Teixeira de Pascoaes

in "Aforismos"
Assírio & Alvim
Lisboa, 1998


LEITURAS ÚLTIMAS #001

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"As Ondas" »»» Virginia WOOLF
Um dia Virginia escreveu: "Quero eliminar todo o desperdício, todas as coisas mortas, o supérfluo: dar o momento inteiro, com tudo o que faz parte dele. Digamos que o momento é um misto de pensamento, de sensação, a voz do mar... Esse medonho assunto da narrativa realista, avançar do almoço para o jantar, é falso, irreal, meramente convencional. Porquê admitir algo na literatura que não seja poesia - até à saturação, mesmo? É isso que quero fazer em 'As Mariposas'”.
“As Mariposas” seria o título inicial de “As Ondas” romance considerado por muitos a obra prima de Virgínia Woolf.

“As Ondas” é um deambular eterno pela condição humana onde Virgínia, através dos seis personagens da história, Bernard, Neville, Louis, Jinny, Susan e Rhoda, remete-nos para a voz que nunca fala, a voz companheira que apenas é ouvida no interior de cada um. Mergulhamos no interior dos personagens, conhecendo-lhes os medos e as inseguranças, as dúvidas e as metamorfoses, acompanhando-os no seu processo de crescimento e amadurecimento, como se tivéssemos a chave das suas almas. Reconhecemo-nos na curiosidade de Bernard, no rigor de Neville, no paternalismo de Susan, na insegurança de Louis e Rhoda e na sensualidade e autenticidade de Jinny. Somos, tal como eles, a combinação de todos e um pouco de cada um, admirando sempre um Percival qualquer, o único personagem sem voz no livro, na procura daquele ‘sei lá o quê’ que sempre nos falta, talvez uma força imaginária que nunca achamos ter.

“As Ondas” não é apenas uma “leitura última”, é um daqueles livros a que regressamos sempre.

O livro está publicado pela Relógio D’Água com tradução de Francisco Vale e pelo Público, na colecção “Mil Folhas”, com tradução de Lucília Rodrigues.
v. LEAL BARROS


COMUNICADO #004

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Umas palavras rápidas para exortar toda a população a passar dos choros de café para ajudar quem faz algo para atenuar toda a dor provocada pela maior catástrofe humana de sempre. Todos nós passamos por dificuldades económicas, mas ninguém deixa de tomar café e ninguém, graças a deus, sabe o que é PASSAR FOME. Portanto, contem connosco para vos chatear. Chateiem os vossos amigos e pensem o que seria de nós se estes TSUNAMIS tivessem feito uma visitinha ao nosso nobre e desprotegido cantinho? Seria assim tão improvável de acontecer?

Deixemo-nos de chorinhos inúteis e FAÇAMOS ALGO!!!

Aqui vão os NIB de organizações que fazem algo no nosso e vosso lugar, por quem tanto sofre.

AMI Missão Ásia
NIB: 0035 0001 0003 0003 8306 2

UNICEF SOS Crianças da Ásia
NIB: 0035 0127 0002 8241 2305 4

CARITAS Ajuda Vítimas da Ásia
NIB: 0035 0697 0063 0917 9308 2


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