NA CAUDA DO PIANO #003


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Deus quer, o homem sonha, a obra nasce, já dizia o poeta. O homem nasceu numa terra minhota, sonhou com Nova Iorque, sua obra nasceu e renasceu. Falamos de um António que poderia ter sido igual a outro António qualquer. Mas o António foi homem tão completamente que chegou até a ser mais do que uma qualquer gente. A sua simplicidade criativa assentou em raízes que nunca renegou, sem no entanto se prender às mesmas. Ele quis mais, desejando ir sempre além, tanto na música como na vida. Foi o seu “analfabetismo” musical que lhe permitiu ser livre para compor. Os seus “lalalas” foram ditados e traduzidos pelos instrumentos.
Estamos nos anos oitenta e não é nada fácil “ser-se”, na muito jovem democracia chamada Portugal. Pois este homem é Português, com certeza, e não abdica disso. Teria sido tão mais fácil se este E.T. fosse Holandês! Poderíamos perguntar-nos como teria sido o já paupérrimo panorama musical Português sem este doido varrido, de facto, algo mudou com a sua breve passagem.
Este fenómeno ainda nos guardou umas surpresas para voltar vinte anos depois da sua alma se ter diluído no infinito. São humanos herdeiros que o incorporam hoje para regozijo de quem ama a música e este sábio Portugal. As surpresas são doze: um álbum inteiro que o visionário guardou estrategicamente para regressar quando as mentes fossem mais expandidas, não para o compreender mas apenas para o desdenhar um pouco menos e até quem sabe amá-lo proporcionalmente ao que o seu amor universal merece. Este Nostradamus escolheu os tais humanos para reencarnar o seu espírito. Valha-nos esta escolha, pois normalmente a tecnologia permite fazer cantar os mortos, que o diga o Freddy Mercury. Três, é o número de humanos que deixam as suas cordas vocais vibrar pela evocação. David Fonseca, Manuela Azevedo e Camané, e parece-me que este último foi quem deixou mais viver em si o humano a quem faz o tributo, emprestam neste disco as suas vozes ao taumaturgo que, pelos vistos abençoou a obra, a ver pelo resultado.
Poderá finalmente o humano António ser reconhecido sem os estigmas e preconceitos que a pobre sociedade Portuguesa o havia acantonado? Penso que o homem ganhou tardiamente, mas com segurança, o lugar que merece, algures entre outros humanos que ele tanto devotamente venerou como Amália Rodrigues e Fernando Pessoa.
alves PEDRO
Imagem retirada do site »»» http://anos80.no.sapo.pt/antoniovariacoes.htm


1 Respostas a “NA CAUDA DO PIANO #003”

  1. Blogger Vítor Leal Barros 

    obrigado por teres publicado este texto sobre o Variações...o disco é realmente muito bom

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