NA CAUDA DO PIANO #002


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Lhasa de Sela nasceu em Big Indian, uma pequena aldeia entre os montes Catskill do estado de Nova York, embora não permanecesse por lá muito tempo. Os seus pais ferozmente idealistas, rejeitaram a rotina e a estabilidade, preferindo seguir a vida para onde ela os levasse. Durante sete anos, a família percorreu os Estados Unidos e o México a bordo de um “autocarro-casa”. Começa então para Lhasa uma relação intensa com a estrada. Viaja acompanhada das suas três irmãs, da sua mãe fotografa e do seu pai escritor, professor de espanhol, que consoante as necessidades trabalhava na construção civil ou na apanha de frutos. O imaginário de Lhasa desenvolveu-se no contacto com livros, contos de fadas, contos radiofónicos e paisagens que desfilavam ao longo das numerosas estradas emprestadas. Teve sempre consciência da sorte de viver a sua infância assim, como uma grande aventura, apesar da promiscuidade por vezes asfixiante e da insegurança quase quotidiana. Esse tempo da infância foi vivido ao som dos clássicos americanos e mexicanos do seu pai e da música latina, árabe e japonesa que ouvia a sua mãe.
A meio da década de 80, o autocarro-casa aporta em S. Francisco. Lhasa, com treze anos, rouba o palco de um café Grego para cantar baladas de Billie Holliday e áreas de música mexicana à capela. Ali descobre gradualmente o poder da sua voz e a capacidade de exprimir pensamentos e emoções que começava então a descobrir em si própria.
Seis anos mais tarde, a estrada leva-a a Montreal e os seus passos cruzam-se com os do guitarrista e compositor Yves Desrosiers. É um encontro determinante. Durante cerca de cinco anos desfilam pelos bares da metrópole e pouco a pouco, a sua colaboração orienta-se para a criação dando forma a La Lhorona, álbum publicado pela Audiogram em Fevereiro de 1997, que veio a conhecer um sucesso estrondoso. Da mitologia azteca, a figura de Llorona designa a rapariga que enfeitiça os homens chorando e cantando-lhes melodias tristes. Esse álbum, interpretado em espanhol, foi adjectivado de “rico e único”. Centenas de milhares de pessoas caíram sob o charme da voz de feitiço da cantora, dos seus textos, de uma poesia madura e da sua música rica em perfumes diversos. Primeiro no Quebec, onde enche salas e ganha o prémio “Félix Artiste Québécois – musica do mundo” em 1997, depois no Canadá onde ela vence o “Juno Best Global Artist” em 1998, nos Estados-Unidos e na Europa, especialmente em França. O Álbum será disco de platina no Canadá (110 000 álbuns vendidos) e triplo disco de ouro em França (300 000 álbuns vendidos).
Depois de quase três anos de concertos sem parar, na véspera do ano 2000, Lhasa sente a necessidade de voltar às suas fontes interiores. Para a cantora, a música é um gesto sagrado, longe do entreter. Decide continuar o caminho, afastando-se do quadro no qual a experiência de La Llorona a mergulhou.
Lhasa vai ter com as suas três irmãs na Bourgogne, em França, que trabalham num “circo contemporâneo”, próximo do teatro intimista. Se por um lado Lhasa regressa a uma parte de si, por outro, ela lida com um meio exigente, feito de encontros insólitos, mas também momentos estafantes. A trupe não só actua como assegura também a infra-estrutura do circo. Montagem e desmontagem da tenda, dos palcos, dos cenários, trajectos, acampamentos…. Ao cabo de numerosas representações, Lhasa estabelece-se em Marselha, cidade indomada, onde se misturam tantas contradições, onde se fundem o hoje e o ontem e onde nascerão as canções do seu próximo álbum.
De volta a Montreal, Lhasa reencontra em Novembro de 2002 François Lalonde, compositor, percussionista e baterista notável, e Jean Massicotte, igualmente compositor e pianista de talento. Os dois vão co-realizar e assegurar os arranjos de “The Living Road”, um disco muito esperado nos dois lados do Atlântico.
Se La Lhorona se articula em torno de um personagem, The Living Road tem por figura central a própria estrada, como uma entidade viva, que se orienta no espaço e no tempo, sem nunca possuir um sentido único. As próprias canções viajam livremente por esse caminho, contornando o passado e o presente, adquirindo nos três idiomas da cantora (espanhol, francês e inglês) a sua identidade própria.
Em estúdio, o trabalho dos três cúmplices consistiu em deixarem-se guiar por cada uma das canções. Envolvidos no vasto e triste estúdio da rua de Saint-Laurent, passaram cerca de um ano, fora do tempo, procurando que a magia das canções de soltasse.
E a magia produziu efeito. The Living Road é um álbum de um universo ecléctico, perturbante e de rara intensidade, onde a cantora nos desencaminha com a sua voz de uma beleza luminosa e sem artifícios. Os textos cruzam e recruzam fronteiras com a sua poesia íntima, cheia de humor e de melancolia, transportados por uma música intemporal de melodias e ritmos texturados. The Living Road é um álbum de uma maturidade desconcertante.
Neste seu novo projecto, apercebemo-nos de uma convicção, na qual, cada pessoa é uma estrada viva, sem qualquer precedente, mesmo o passado que se tornou único para cada um de nós. “É isto que anima as canções do álbum”, diz Lhasa, “essa força misteriosa que te empurra a não te contentares com nada, a nunca te enfiares numa caixa, quieto, dizendo: aquilo é aquilo! eu sou isto! A estrada é viva, não a podemos dominar e sabemos disso.”

Tradução para português por: v. LEAL BARROS e alves PEDRO.
Imagem e texto original em francês retirados do site »»»
www.audiogram.com


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