Um coral de crianças, desleixadas pela falta de comparência de amor, abandonadas a si mesmas que encontram quem as veja, quem pare para simplesmente parar. Olhar. Hoje como no tempo daquele conto, ninguém tem tempo para parar e contrariar o julgamento de que aquelas criaturas foram vítimas. São umas lástimas, irreversivelmente perdidas entregues ao seu fado. Porém, ainda há quem possa perder o seu tempo com “inutilidades”, como é o caso de poucos “Clément Mathieu”. Sob a sua batuta, os perdidos para a sociedade conseguem suplantar os fados de chumbo que os acabrunham, para erguerem e soltarem vozes quentes afinadas pelo tom de quem atinge o outro ao ponto de o conseguir fazer parar. Olhar. Subimos uns degrauzinhos na escada quântica do Amor, a arte sublime da transmutação. O filme “Os Coristas” desvendou um segredo, assassinou um fado, ergueu dignidades, transformou vidas. Possamos também acreditar que é possível, que ainda não perdemos esse poder, possamos também parar. Olhar.
alves PEDRO
O filme tocou-nos a todos porque é simples.
V.L.B