PÉROLAS A PORCOS #003


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É PROÍBIDO PENSAR

Imaginemo-nos humanos pré-históricos, imaginemos também que nunca teríamos visto a nossa imagem reflectida num espelho de água, imaginemos ainda que pela primeira vez assistíamos ao desenhar da nossa face numa superfície qualquer. O que reteríamos do observado? Que questionaríamos? Que consciência nasceria, se é que alguma nasceria, desse acto? Possivelmente se fossemos humanos pré-históricos distraídos tão pouco notaríamos que a água nos tinha desenhado, no entanto, se fossemos humanos pré-históricos atentos possivelmente indagaríamos sobre que espírito aquático seria aquele desenhado à nossa frente. Pois bem, foi o espírito curioso dos nossos antepassados que nos trouxe ao presente. Viajamos ao longo da História na nau da curiosidade para aportarmos nas docas do pensamento. A capacidade de questionarmos, a possibilidade da interpretação e a oportunidade de comunicarmos com os outros da mesma espécie transformou-nos num animal diferente de todos os outros que povoam este planeta.
Pensadores, descobridores e criadores - homens pré-históricos curiosos, prepararam-nos caminho e ofereceram-nos a tábua do conhecimento de que dispomos hoje. O nascimento da era contemporânea, com o desenvolvimento científico-tecnológico da Revolução Industrial, trouxe consigo a democratização dos meios e formas de acesso ao conhecimento, possibilitando que uma população mais vasta adquirisse o direito de interpretar e de comunicar, impossíveis anteriormente por uma questão essencial de sobrevivência – “para que me serve o livro se não tenho pão?”. Se por um lado o desenvolvimento verificado nos dois séculos passados criou o meio para que o Homem contemporâneo ascendesse a um nível de conhecimento superior, por outro, o mesmo desenvolvimento afastou-o do ritmo compassado que mantinha com a Natureza. Enquanto seres biológicos fomos formatados para acompanharmos o relógio da vida. Possuímos uma engrenagem própria que obedece a leis e a regras que não podemos dominar e como tal sofreremos as consequências do desajuste se não estivermos atentos. O problema essencial do homem contemporâneo é, portanto, o divórcio com a sua própria natureza biológica; abriu mão do plantar a semente, do escutar o silêncio do crescimento da seara e do cair da morte ao final do dia resgatando a vida com o nascer do sol.
A patologia de que nós, sociedade contemporânea, padecemos, é exactamente esse desajuste com a nossa própria condição e manifesta-se essencialmente sob os sintomas da apatia, da passividade e da preguiça intelectual. Numa sociedade em que o progresso se encarrega de nos distrair com fait divers de todos os géneros e feitios e na qual o tempo é escasso para tudo e mais alguma coisa, o que nos resta é tão e somente a rendição incondicional. Ou será que não? Pois, é essencialmente aí que reside a questão. O que verificamos no decorrer da vida é que, apesar do estado grave da infecção, existem sempre por aí uns anticorpos que teimam em impedir o seu desenvolvimento – os tais humanos pré-históricos atentos. Estes seres, adeptos da questão e da interpretação, apesar do mundo apressado e desenfreado em que vivem e no qual tudo é comprado feito, cismam e porque cismam em parar, observando e tentando compreender o que se desenrola à sua volta. Ora, agora pergunto: Terão estes humanos pré-históricos atentos, alguma legitimidade para reflectir? Terão eles o direito a interpretar e a manifestar as suas opiniões? A ver pelo exemplo do professor Marcelo, parece-me que não! A resposta a que se chega é que na sociedade em que vivemos é proibido pensar e se por acaso há alguém que o arrisca a fazer a sentença é a exclusão ou então a tira de fita-cola na boca do pobre coitado.
Completando a antítese, é necessário pensar nisto, ou arriscamo-nos a perder de vez as qualidades que fazem de nós animais únicos, e culpabilizemos o TEMPO, pois seria grave culpabilizarmo-nos enquanto HUMANIDADE.
v. LEAL BARROS


1 Respostas a “PÉROLAS A PORCOS #003”

  1. Anonymous Anónimo 

    Aproveitando a deixa e culpabilizando o "TEMPO" e o tempo, ou melhor, a falta dele, eu ainda não tive tempo mas prometo que vou ter! Bj, Alex

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